O grupo excursionista de Costa

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“Costa sabe bem, ele que espetou uma faca nas costas de Seguro, o que é o sabor amargo da traição; como homem hábil, mas pouco dotado, prefere confiar em gente amiga, ainda menos dotada do que ele, porque os pode controlar, manobrar, porque, sobretudo, dependem dele para se manterem na esfera governativa ou mesmo profissional, pois muitos são profissionais da política e dependem de um caudilho para continuarem a ter cargos e prebendas”

A natureza amadorística desta governação revela-se facilmente em diversos pontos. O primeiro dos quais é a falta de elementos em quem o primeiro-ministro pode depositar confiança. Sem existir um naipe de personalidades de primeiro plano, com currículo académico e profissional, para ocupar pastas de relevo, António Costa socorre-se de amigos e suas relações familiares. Aquilo que era exclusivo de sociedade mafiosas, precisamente por falta de confiança em elementos estranhos, sabendo que a família em sociedades mediterrânicas tem um valor excepcional de lealdade, tornou-se norma no actual governo. Todos os dias os jornais, portugueses e internacionais, uma vez que o assunto já extravasou as fronteiras paroquiais de Portugal, revelam mais teias de amizade e familiares nos núcleos mais centrais de governação.

Se algumas das relações são apenas, e este advérbio é aqui irónico, de nepotismo, como os amigos, sobrinhos, genros e noras, primos e enteados, maridos e mulheres, nomeados para cargos de maior ou menor importância na Administração Pública, o principal problema de António Costa é o núcleo central da governação.

Já aqui escrevemos anteriormente que o seguro de vida de Costa é o governante mais sensato e melhor profissional do governo, Centeno, o ministro das Finanças. Mário Centeno é a sorte grande, o euro-milhões de Costa. Sem Mário Centeno já Costa teria saído de cena pela porta pequena. Centeno dá credibilidade à governação portuguesa na Europa e consegue acalmar, de certa forma, a acção dos partidos supostamente de direita, o PSD e o CDS, que ficam desarmados perante os números apresentados pelo ilusionista das finanças. Se esquecermos que Portugal está a divergir em PIB per capita dos países mais civilizados da OCDE, se esquecermos a descida no índice de desenvolvimento humano da ONU, se esquecermos o lugar 77 no ranking da felicidade humana da ONU, se esquecermos que o índice de desigualdade de hoje é igual ao mesmo índice em 1974, se esquecermos que temos umas das maiores taxas de analfabetismo entre os países da União Europeia, podemos então aceitar que Mário Centeno tem feito um trabalho razoável. Os partidos da pretensa direita, que nem sequer fazem o trabalho de casa e não trazem à colação estes números negativos, porque têm também uma enorme quota-parte neste estado de coisas, uma vez que também partilharam tarefas governativas nestes últimos anos e ainda participaram activamente na construção desta república da corrupção, não conseguem desmontar os números de ilusionismo de Costa e Centeno.

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