O legado do Partido Socialista

Antes de chegarmos a 2023 convém refrescarmos a memória sobre este tão precioso legado que conta com 26 anos.
Já por três vezes que Portugal pediu ajuda ao Fundo Monetário Internacional.
A primeira vez foi em 1977 no Governo liderado por Mário Soares. Enfrentávamos uma taxa de desemprego de 7%, não muito diferente da actual, uma grande desvalorização do escudo, uma inflação de cerca de 20% e uma enorme instabilidade política pós-PREC.
A segunda vez ocorreu em 1983 durante o governo de emergência nacional, liderado por Mário Soares, para combater a grave situação económica e social que o País enfrentava, fruto do trágico “acidente de Camarate”.
A terceira e última vez, até ao momento, foi em 2011 no Governo liderado por José Sócrates, num momento em que já não havia dinheiro para pagar salários nem pensões; estávamos em plena bancarrota. Passos Coelho ficou com o ónus da intervenção da Troika, mas quem espoletou o empréstimo foi o Governo socialista então em funções, não foi Passos Coelho.
O grande erro que Passos Coelho cometeu foi o de não se ter dirigido aos portugueses para os informar do porquê e das suas consequências. Assim, ficará para sempre como o mau da história e Sócrates como o pobre difamado e inocente até prova em contrário; prova essa que nunca irá surgir porque tudo irá prescrever. Obrigada pela justiça que temos.
No que se refere à Saúde, médicos e enfermeiros estão descontentes e revoltados; é bom que tenhamos seguros de saúde e dinheiro para podermos recorrer ao sector privado. É este o sistema de saúde a que temos direito?
O mesmo se passa com os professores, descontentamento e revolta. São colocados a quilómetros de distância das suas residências, longe da família e com o ónus de terem de pagar alojamento extra. É esta a educação a que temos direito?
As forças de Segurança estão igualmente descontentes e revoltadas. O SEF desapareceu e agora quem controla a imigração ilegal? A PSP é sistematicamente desautorizada pelo nosso sistema judicial. Vale a pena arriscarem a vida para se verem desautorizados? Os vândalos, agressores, ladrões, assassinos, traficantes, violadores, são quase todos libertados. É esta a justiça a que temos direito?
As promessas socialistas para a habitação ficaram pelas promessas. Os mais jovens não conseguem sair da casa dos pais. É assim que o governo socialista quer aumentar a taxa de natalidade quando os jovens não conseguem constituir família? Salários baixos, rendas elevadas, preço dos imóveis para venda com preços absolutamente proibitivos. O salário mínimo aproxima-se do salário médio. É esta a política socialista? Não permitir que os mais jovens tenham direito a sonhar, a não ser que emigrem?
Sobre os nossos idosos, nem uma palavra. Não é preciso, têm reformas elevadas, um SNS fantástico, cuidados paliativos e lares com preços à altura das suas reformas. É esta a velhice a que temos direito?
No que se refere aos Fundos Europeus do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), a sua taxa de execução é muito baixa, 17%. No dia 5 de novembro de 2022 Marcelo Rebelo de Sousa deixou um aviso a Ana Abrunhosa, ministra da Coesão Territorial, tendo dito que no dia em que descobrir que a taxa de execução dos fundos europeus não corresponde à que devia ser, esse será um dia super infeliz para a ministra.
A dessalinização como forma de combater a seca, de ajudar a agricultura e de redução da desertificação do interior do país não é tema?
As ferrovias e os comboios não são importantes? Linhas desativadas, suprimidas, equipamentos degradados e obsoletos. É assim que pretendem apoiar as regiões do interior do país e reduzir o tráfego automóvel?
António Costa ficará decerto conhecido como o primeiro-ministro que menos fez e muito disse, em que as polémicas e suspeitas de práticas de crimes foram uma constante e muitas conduziram à demissão de membros de Governo.
Marta Temido, António Lacerda Sales e Fátima Fonseca demitiram-se com bastante dignidade e legitimidade.
João Neves e Rita Marques, por divergências com o ministro da Economia. Sara Guerreiro por razões de saúde, ao fim de 33 dias.
Foi um primeiro-ministro que não soube capitalizar a maioria absoluta que obteve nas eleições e que se rodeou de uma série de gente inequivocamente dotada em matéria de arrogância, soberba e de sede de poder: António Cabrita, Carla Alves, Miguel Alves, Alexandra Reis, Marco Capitão Ferreira, Vitor Escária, João Galamba e Pedro Nuno Santos.
A propósito de Pedro Nuno Santos, em Junho de 2022 escrevi:
“Era uma vez um ministro que não media as consequências dos seus actos. Será?
Há quem o acuse de uma enorme necessidade de protagonismo, de uma desmedida sede de poder e de uma enorme ânsia de um dia ficar sentado na cabeceira da mesa do Conselho de Ministros.
Também era uma vez um Primeiro-Ministro, paternalista, compreensivo, tão benevolente que tudo desculpa, até este pequeno deslize do seu não delfim Pedro Nuno Santos. Será?
Nada disto foi combinado? Quem nos garante que não houve uma combinação prévia entre os dois? Ambos ganham, um fica livre para poder assumir outro tipo de cargos e o outro fica com todo o espaço para poder ser presidente do Partido. Não esqueçamos que foi um dos protagonistas da geringonça e, como tal, seria muito fácil ir de novo procurar o apoio da sua querida esquerda e tornar-se Primeiro-Ministro.
Que personalidade tem este Primeiro-Ministro, que desculpa os deslizes de um seu ministro e o mantém no cargo? Tudo pelo bem da Nação, só pode ser.”
No passado dia 7, passado cerca de um ano e meio, estoirou uma bomba, um tsunami, uma derrocada.
Costa só será demitido após a aprovação do orçamento. Se temos de ir a eleições no próximo dia 10 de Março, que sentido faz obrigar um novo Executivo a um orçamento que não foi por si apresentado nem defendido? O que faz Marcelo Rebelo de Sousa segurar António Costa até Março de 2024?
Têm medo da direita? Eu tenho muito mais medo desta esquerda caviar. ■

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