EVA CABRAL

A “lua-de-mel” do primeiro-ministro com a sua própria “imagem” chegou repentinamente ao fim.

Junho foi um mês de catadupa de boas notícias na frente económica. António Costa passeava pelo País sempre pronto a puxar dos galões do seu sucesso económico. Com um sorriso esfuziante repetia sem cessar que tinha sido possível ter uma política que devolvesse rendimentos às pessoas ao mesmo tempo que o País cumpria o acordado com os seus parceiros internacionais.

Foram trinta dias felizes. Até que chegou Junho, com a sua tempestade de Verão. E o sorriso de Costa apagou-se do espaço público. Aquilo a que ele chamava o seu irritante optimismo começou a irritar os portugueses. Nesse sorriso viam-se os mortos dos incêndios, a balbúrdia nas Forças Armadas e a corrupção rasteirinha de pilha-galinhas no caso dos bilhetes de futebol.

Tinha terminado a lua-de-mel, e como é inevitável nestes casos, começaria a fase do lavar da roupa suja. O cimento do poder cala quase todas as vozes, mas não restam dúvidas de que o PS está incomodado.

E o desaparecimento do sorriso de Costa foi galopante.

Tudo começou com o trágico incêndio de Pedrógão Grande, onde morreram 64 pessoas, passando-se para um chocante roubo de armas do Arsenal Nacional de Tancos, que levou à demissão de altas patentes e permanece um caso por resolver em cima da mesa de trabalho do Presidente da República. Depois, foi o desenterrar de um caso que tinha um ano, o facto de vários secretários de Estado terem aceitado benesses da GALP para irem ao Europeu de Futebol, que originou agora uma remodelação de oito secretários de Estrado, apesar de só três estarem evolvidos no chamado GALPGate.

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