O voto de silêncio de Marcelo

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Conhecido por ser um Presidente da República hiperactivo e sempre disponível para comentar tudo (mesmo tudo), Marcelo Rebelo de Sousa veio agora prometer uma espécie de tréguas aos partidos para que a fase de campanha eleitoral mais acesa não seja influenciada pela sua opinião.

Causou alguma estranheza nos meios políticos ver Marcelo afirmar que vai manter “uma agenda muito apagada” até às eleições de 26 de Maio para o Parlamento Europeu, com a preocupação de não interferir na campanha eleitoral. O silêncio do Presidente já tinha começado com a ameaça de crise política criada por António Costa a propósito do dossier dos professores, e pelos vistos irá manter-se nos próximos tempos.

Foi o próprio Marcelo Rebelo de Sousa quem referiu aos jornalistas, numa iniciativa na Fundação Champalimaud, em Lisboa, que durante este período a sua agenda se resume a “poucos, poucos actos públicos e que não interferem minimamente na campanha eleitoral”.

O Chefe do Estado pode estar calado neste momento, mas deixou no ar a ideia de que depois das eleições Europeias tenciona fazer um balanço das últimas semanas. E toda a gente sabe que Marcelo não costuma perdoar deslealdades políticas aos partidos.

O caso dos professores
Na mesma sessão, o PR explicou a opção de se manter em silêncio sobre a ameaça de demissão do Governo caso fosse aprovada contagem integral do tempo de serviço dos professores, cenário entretanto afastado, e avisou que continuará sem abordar esse e outros temas que estão em debate na campanha.

“Eu não me pronunciei sobre aquilo que aconteceu nesse período, não me vou pronunciar agora”, afirmou. O Presidente escusou-se a revelar se teria ou não vetado a contagem integral do tempo de serviço dos professores, caso o parlamento a tivesse aprovado em votação final global, e se teria ou não convocado eleições legislativas antecipadas.

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