EVA CABRAL

O ano de 2017 ficou marcado por vários escândalos e tragédias que deixaram os portugueses inquietos e magoados. O peso de cada caso é diverso, mas todos acabam por sofrer a erosão do tempo, “beneficiando” o Executivo da geringonça. Daí o interesse de se revisitar casos que, passados poucos meses, já estão como que esquecidos pela opinião pública, e lembrar a tragédia dos fogos que ainda está bem presente no colectivo nacional. Muitos destes factos levaram mesmo à demissão de governantes que António Costa, depois de uma primeira fase de apoio, se viu na necessidade de deixar cair.

Caso Galp

Em Julho emergiu o chamado “caso Galp”, com membros do Executivo a aceitarem benesses para irem ao Europeu de Futebol em França. O secretário de Estado dos Assuntos Fiscais aceitou que a Galp lhe pagasse duas viagens para ver jogos da selecção no Euro, com a Hungria e França – uma situação denunciada como incompatível com o exercício de um cargo público. Fernando Rocha Andrade tinha a situação mais delicada, tutelando a Autoridade Tributária que mantém um diferendo fiscal com a Galp na ordem dos 100 milhões de euros.

Depois de uma primeira fase de resistência e de negação dos problemas éticos e jurídicos, o “caso Galp” derrubou mesmo os governantes envolvidos. Assim, os secretários de Estado da Internacionalização, Jorge Costa Oliveira, dos Assuntos Fiscais, Fernando Rocha Andrade, e da Indústria, João Vasconcelos, foram exonerados e estão a ser investigados pelo crime de recebimento indevido de vantagem.

A decisão de exoneração foi justificada com a intenção de não prejudicar o Governo. Os três governantes explicaram, em nota, que decidiram “exercer o seu direito de requerer ao Ministério Público (MP) a sua constituição como arguidos”.

Na altura soube-se que o MP investiga mais políticos no caso das viagens do Euro. Deputados e autarcas estão também a ser investigados por recebimento indevido de vantagem, no caso viagens, refeições e bilhetes para assistirem ao Europeu de França de 2016. Em causa estão os deputados do PDS Luís Montenegro, Hugo Soares e Luís Campos Ferreira, que viajaram igualmente para França para ver a final do Euro. Os dois primeiros admitiram ter ido, mas garantiram ter pago tudo do seu bolso, nada tendo a ver com a Galp.

Tragédia de Pedrógão Grande

Incrédulo, o País começou a ver as imagens de horror de um incêndio que começou em Pedrógão Grande, alastrou a outros concelhos vizinhos e que deixou um rasto de destruição e morte. Na hora do balanço, este incêndio provocou 66 mortos e 253 feridos, sem contar com cerca de meio milhar de casas destruídas, bem como 50 empresas, de dimensão variada, inutilizadas.

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