País à mercê dos grevistas

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Os enfermeiros pararam a máquina da Saúde Pública nos principais centros urbanos. Os guardas prisionais agravam a situação nas cadeias depois dos motins dos reclusos. Juízes e funcionários judiciais têm os tribunais suspensos. Os armadores estrangeiros já fogem da greve dos estivadores em Setúbal. Professores continuam a “luta”. Comboios ficaram nas gares. E até os bombeiros e os inspectores da PJ vão fazer greve!

Em termos de impacte social, a greve “cirúrgica” dos enfermeiros é o conflito laboral que mais tem prejudicado a vida dos portugueses. Iniciada a 22 de Novembro e com fim marcado para o último dia do ano, a paralisação afecta gravemente o funcionamento de cinco grandes blocos operatórios: Centro Hospitalar Universitário de S. João (Porto), Centro Hospitalar Universitário do Porto, Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra, Centro Hospitalar Universitário Lisboa-Norte e Centro Hospitalar de Setúbal.

Numa estimativa muito optimista, a ministra da Saúde calcula que a greve dos enfermeiros venha a afectar, no total, 4.000 intervenções cirúrgicas. Em declarações aos jornalistas após uma reunião com as administrações dos cinco hospitais afetados, Marta Temido afirmou que os reagendamentos de operações terão início nos primeiros dias de Janeiro.

Mas a Ordem dos Médicos tem informações mais pessimistas: até ao último fim-de-semana, a paralisação teria já causado o adiamento de cerca de 5.000 cirurgias. Só em Coimbra, segundo a Secção Regional do Centro da Ordem dos Médicos, a greve já tinha obrigado a anular quase mil cirurgias programadas no Centro Hospitalar e Universitário da cidade dos estudantes. O presidente daquela estrutura, Carlos Cortes, declarou à agência Lusa: “Nunca vi nestes últimos anos uma irresponsabilidade, uma apatia e passividade tão grande do Ministério da Saúde perante este problema. E o problema é para os doentes, que não estão a ser operados”.

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