Palavra dada é palavra enganada

Palavra dada é palavra honrada” é a célebre frase proferida por António Costa com o intuito de enganar o pagode e fazer crer que, politicamente, o seu comportamento seria exemplar, idóneo, correcto e imaculado. O seu percurso até aos dias de hoje tem-nos mostrado exactamente um perfil completamente oposto ao apregoado, baseando-se o seu discurso e comportamento político em constantes mentiras, as quais atingiram um descaramento intolerável e espantoso. 

De acordo com o dicionário da língua portuguesa a palavra “jamais” significa “em tempo algum; nunca; alguma vez; nenhuma vez”. Por diversas vezes referiu que jamais – sublinhado e acentuado pela palavra “nunca” – faria acordos com o Bloco de Esquerda ou com o Partido Comunista. Desejoso e ávido do Poder, três dias depois estava a fazer alianças com os citados Partidos, criando aquilo que ficou conhecido por geringonça.

Paralelamente, ao longo destes seis anos de governação – eu diria antes, desgovernação… – sempre que surgiu a oportunidade gritou aos quatro ventos, alto e bom som para quem quisesse ouvir, que jamais faria qualquer acordo à direita, isto é, com o Partido Social Democrata, sublinhando que, enquanto fosse Primeiro-Ministro e Secretário-Geral do PS só faria acordos à esquerda – o correcto seria dizer extrema-esquerda –, isto é, com os tais que categoricamente havia afirmado que nunca se aliaria. 

O inesperado aconteceu e vamos ter eleições antecipadas, cujo resultado é absolutamente imprevisível. Receoso de perder o Poder – vaidoso como é, nem deve dormir… -, com o descaramento que lhe é habitual, já veio afirmar publicamente estar receptivo a conversar com qualquer força política, incluindo o PSD, o tal que durante os últimos seis anos parecia sofrer de lepra ou outra qualquer outra doença altamente contagiosa. Aquilo que até ao anúncio de eleições antecipadas era algo absolutamente impossível (de acordo com as suas palavras), ou seja, a eventual criação de um novo Bloco Central, é agora algo absolutamente natural, possível e, quiçá, desejável. O que faz a ambição e a ânsia do Poder!

Estou curioso de saber se, durante a campanha eleitoral ou durante alguma entrevista, António Costa vai alterar o seu ‘slogan’ para “Palavra dada é palavra enganada!”. Uma coisa é certa: na palavra do candidato do PS a Primeiro-Ministro, António Costa, não se pode confiar, o que desde logo é péssimo presságio para que alguém com este perfil possa ficar responsável pelo destino de Portugal, aliás como se verifica face aos constantes escândalos e sinais de incompetência que envolvem o actual Governo que, mais uma vez, têm direccionado o País para o abismo.

Seria, ou melhor, é desejável que António Costa, durante a campanha eleitoral, tenha a coragem, hombridade e honestidade de dizer claramente aos portugueses o que fará em função de cada um dos cenários possíveis que resultem das eleições. É desejável, mas não acredito que tal seja possível face ao perfil político de António Costa e da cultura socialista. ■

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