Para lamentar

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Tradicionalmente há quem se venda por um prato de lentilhas. No caso de vários dos nossos deputados, o preço é outro: 69 euros de uma senha de presença numa reunião onde não estiveram, mas que lhes cai na conta bancária sempre que conseguem ‘enganar’ o sistema através de um outro deputado amigo ou um par com quem possuem uma relação amorosa.

Foi uma sucessão de vigarices cometidas por deputados para continuarem a estar “presentes” nas sessões plenárias e nas comissões parlamentares – tudo para ‘sacarem’ a sua senha de presença de 69 euros por sessão, mesmo quando se encontravam longe de S. Bento – que obrigou o Presidente da Assembleia da República a tomar medidas.

Ferro Rodrigues marcou uma reunião extraordinária com todas as bancadas e deixou um recado claro: o presidente do Parlamento recusa vir a ser o “polícia dos deputados” ou adoptar um eventual esquema de ‘picar o ponto’ como o dos funcionários parlamentares, mas exigiu “mais responsabilidade individual e coletiva” sobre registo de presenças.

“Parece inquestionável a existência de irregularidades, havendo registo de presenças falsas, com a necessidade de responsabilização dos deputados em questão no que se refere ao registo das suas presenças e dos Grupos Parlamentares a que pertencem”, disse Ferro na conferência que debateu a polémica com a troca de passwords e a presenças falsas em plenário, bem como as situações de despesas e seu reembolso com viagens.

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