Parte 7: Ausência de Estratégia

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O Partido Socialista, como aliás outros partidos, nunca se deu ao trabalho de apresentar uma síntese estratégica que desse um sentido de direcção ao processo de desenvolvimento de Portugal, apontando as principais metas e os principais recursos para, pelo menos, dez anos. Como tenho divulgado, o Japão apresentou duas sínteses estratégicas de meia página em 1946 e em 1956, estratégia que durou até aos nossos dias e está na origem do enorme salto tecnológico dado pelo País ao longo dos anos. O mesmo sentido de direcção tem sido prosseguido pela Irlanda, o que tem permitido a este país ser o exemplo de desenvolvimento de maior sucesso da União Europeia.

Em vez de uma síntese estratégica que poderia ser debatida e compreendida pelos diversos sectores da sociedade, os partidos, e em particular o PS, apresentam programas extensíssimos que ninguém lê, com dezenas de propostas que ninguém controla, com a gravidade de as propostas serem frequentemente contraditórias entre si, isto é, anulam-se nos seus efeitos. Ou, como tenho acusado o PS de António Costa, atacam os efeitos e não as causas. Por exemplo, a ausência de uma estratégia que colocasse na primeira linha das prioridades a educação, através da criação de uma rede de creches e de escolas do pré-escolar de qualidade, com alimentação e transporte, que será sempre a base do nosso desenvolvimento, é a razão do elevado  insucesso escolar e de termos uma economia dual sem futuro, como resultado da pobreza e da ignorância em que vivem muitas centenas de milhares de famílias portuguesas.

Os programas dos partidos que se apresentam às próximas eleições têm dezenas de propostas para o ensino universitário, para combater o insucesso escolar e para desenvolver a economia, fazendo-o através de medidas pontuais contraditórias, que raramente chegam à raiz dos problemas. Todavia, a minha proposta para resolver o problema à nascença, e durante uma geração, não é seriamente contemplada.  

A geringonça acentuou a gravidade destas práticas partidárias, porque em vez de um sentido de direcção claro com objectivos conhecidos e dimensionados, assistimos durante quatro anos a divergências de base ideológica, seguidas de negociações, como resultado dos diferentes projectos partidários, o que resultou numa autêntica salada de decisões que apontam em todas as direcções.

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