Parte 6: Investimento e desenvolvimento económico

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Durante a presente legislatura, o Partido Socialista e o Governo basearam a sua política económica na reversão dos cortes levados a cabo pelo Governo de Passos Coelho, negando sempre que esses cortes tivessem a sua origem no desastre económico e financeiro dos governos de José Sócrates. Ao mesmo tempo, o Governo privilegiou o aumento das despesas do Estado e a satisfação dos funcionários públicos, com algumas revisões salariais e com a redução das horas de trabalho. Ou seja, o aumento da despesa fixa.

Tudo isso foi possível devido à enorme redução dos juros da dívida pública, da quase eliminação do investimento público, do aumento dos impostos indirectos, das cativações do Ministério das Finanças, do esforço das empresas privadas no crescimento das exportações, da chegada dos fundos comunitários consumidos pelo Estado e, naturalmente, pelo bom momento das economias europeia e mundial e pela explosão do turismo.  Infelizmente, durante os quatro anos da legislatura, nada foi feito para adequar o modelo económico ao crescimento da actividade privada, principalmente a exportadora, ou para atrair o investimento estrangeiro, nomeadamente industrial, ou valorizar o posicionamento de Portugal nas rotas do Atlântico, entre os dois maiores mercados mundiais, da Europa e da América do Norte, e sem cuidar dos factores logísticos, essenciais nas modernas economias do nosso tempo. 

Neste último capítulo da logística, o Governo, ao mesmo tempo que escondia a ausência de investimento, realizou accções de pura propaganda como o “maior investimento do século na ferrovia” ou um novo porto no Barreiro, uma linha circular do Metro de Lisboa e um novo aeroporto no Montijo, além de novos investimentos no porto de Sines. Passados quatro anos, nenhum dos investimentos prometidos foi realizado ou mesmo iniciado e a razão é simples, não há dinheiro. Ou seja, o bom momento da economia mundial permitiu reduzir o défice do Estado, mas menos do que no Governo anterior, e permitiu algum aumento do consumo, mas sem qualquer alteração do modelo económico, no sentido de valorizar a produção nacional e o investimento, nacional e internacional.  Assim, a economia manteve-se sem mudanças significativas e as que existiram foram negativas, como o aumento dos impostos, o crescimento do défice externo e a queda da produtividade.

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