Parte 9: O Futuro

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Sabemos que um dos problemas das sociedades modernas é a aceleração da mudança e que as pessoas e as instituições têm dificuldade em se adaptar a essa mudança. Em qualquer caso, há instituições, países e governos que se adaptam melhor do que outros e há governantes cujo objectivo é apenas a manutenção do poder, ou porque as circunstâncias políticas a isso obrigam ou porque não têm a preparação e a visão para se preocuparam com o futuro. António Costa pertence a estas duas categorias, a sua preocupação é a manutenção do poder e durante quatro anos fez mudanças avulsas, não estratégicas e quase sempre contraditórias, isto é, pretende atacar as consequências e não as causas. Por exemplo, já aqui escrevi que a redução das propinas na Universidade, ou levar alunos universitários para o Interior, ou criar novas escolas para combater o insucesso escolar, é tratar as consequências do baixo índice de formação dos portugueses e não as causas, esquecendo que é nos primeiros meses e anos de vida das crianças que reside o período essencial para a sua formação, sem o que a pobreza e a ignorância do meio em que vivem as condenam ao insucesso escolar. 

António Costa e os seus ministros não compreendem que Portugal tem um nível de ignorância média superior à generalidade dos países europeus e centenas de milhares de trabalhadores têm menos qualificações do que os seus camaradas de outros países. Como também não aparentam saber que isso não é um problema da Universidade, mas um círculo vicioso existente nas famílias pobres, em que a ignorância passa de geração para geração e as crianças quando chegam ao ensino obrigatório já estão divididas, por razões económicas, entre o sucesso e o insucesso. Há, naturalmente, excepções, mas que não alteram a regra; e se o Governo se der ao trabalho de fazer um estudo no dia da chegada das crianças ao ensino obrigatório, verificará isso mesmo.

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