MARIA D’ALJUBARROTA

A memória dos povos é curta, já poucas pessoas se lembrarão…

Numa quinta-feira, dia 21 de Dezembro de 2017 – com o povão a correr para os hipermercados a fim de se abastecer para o longo fim-de-semana e para o Natal que espreitava na segunda-feira seguinte –, um decreto que o Presidente da República considerou depois (cito) “estruturante para a democracia e essencial para a credibilidade das suas instituições” estava sendo congeminado pelos representantes dos principais partidos políticos portugueses numa sala obscura do antigo Mosteiro de São Bento, em Lisboa.

A reunião não fora previamente anunciada à imprensa ou publicitada no hemiciclo e decorria à porta fechada. Entre as forças políticas representadas no encontro estavam o partido cujo líder presidia ao Governo, os dois partidos que (por acordo formal) apoiavam esse Governo no Parlamento e ainda o maior partido da oposição a esse Governo, e que apenas dois anos antes tivera o seu líder no cargo de primeiro-ministro.

Era a nona vez que estes cavalheiros e damas se reuniam com o mesmo fito, sempre numa sala obscura do velho casarão de São Bento, sempre sem publicidade, sempre à porta fechada.

  • Leia este artigo na íntegra na edição impressa desta semana.
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