MARIA COSTA

O braço de ferro entre o novo presidente do PSD e os deputados eleitos pelo partido ameaça transformar-se numa guerra sem quartel. Quem ganha com isso é o CDS de Assunção Cristas.

Rui Rio quis honrar a fama de ter um estilo belicoso e de nunca fugir a qualquer confronto, e resolveu esticar a corda com a sua própria bancada parlamentar, com quem não reuniu durante longos dias após a sua tomada de posse como líder do PSD. O argumento, algo burocrático, é que só depois de toda a equipa parlamentar estar eleita irá encontrar-se cara a cara com os deputados. A reunião está marcada para quinta-feira.

Esta posição de Rui Rio, de quase desprezo por quem foi eleito em sufrágio nacional, tem o sabor a uma “revanche” face aos fracos resultados obtidos pelo seu candidato a líder de bancada. Depois da conturbada e humilhante eleição de Fernando Negrão, que o deixou altamente fragilizado, Rui Rio passou a utilizar um tom de ameaça: manifestou a vontade de trabalhar com os 89 deputados do grupo parlamentar, mas avisou que aqueles que “não quiserem colaborar” assumem essa responsabilidade. Isto é: os recalcitrantes devem preparar-se para o pior da personalidade do antigo autarca do Porto.

“Os deputados são 89, à partida contamos com 89”, afirmou Rui Rio no final de um “almoço de trabalho” com o Presidente. “Aqueles que não quiserem colaborar assumem essa responsabilidade de não colaborar. Vou trabalhar com todos aqueles que quiserem trabalhar”.

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