Paulo Sande, do ‘Aliança’: “Portugal não se pode deixar sistematicamente comandar nas questões europeias”

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Profundo conhecedor das matérias europeias, Paulo Sande, cabeça-de-lista do partido Aliança às europeias de Maio, confessa que nunca “lhe passou pela cabeça ser eurodeputado”. Em resposta a um questionário d’O DIABO, diz que a proposta de Pedro Santana Lopes foi uma enorme surpresa, mas “ofereceu-me a possibilidade de falar daquilo que sei, das ideias que nos muitos anos dedicados ao tema fui desenvolvendo, com o entusiasmo que a Europa em mim sempre suscitou”. Frisa que “Portugal tem de assumir os grandes debates europeus, sobre o financiamento da União Europeia, sobre a visão para o futuro, sobre os perigos e as ameaças que pesam sobre todos nós, e tem de fazê-lo com convicção e coragem, liderando e não deixando-se sistematicamente comandar, sofrendo as consequências das decisões dos outros”. Quanto aos dossiers que pretende abraçar, diz que o problema vai ser de escolha: “Há inúmeros temas que me fascinam, desde os constitucionais às questões da governação, à qualidade da democracia, as relações da Europa com o Mundo (e da CPLP via Portugal com a Europa), da imigração – o chamado espaço de liberdade, segurança e justiça –, as matérias relacionadas com o comércio internacional, e tantas outras, como as políticas relativas à ajuda ao desenvolvimento”.

Qual vai ser o slogan da sua campanha às europeias?

“Para ganhar uma Europa nova”, porque vou ganhar – e ser eleito, com mais alguns membros da lista, será sempre uma vitória – e a minha vitória representa também um Portugal novo na Europa e, com isso, a esperança de uma Europa renovada.

Disse recentemente que “a atitude de Portugal perante Bruxelas tem de mudar”. Em que sentido?

Portugal tem de assumir os grandes debates europeus, sobre o financiamento da União Europeia, sobre a visão para o futuro, sobre os perigos e as ameaças que pesam sobre todos nós, e tem de fazê-lo com convicção e coragem, liderando e não deixando-se sistematicamente comandar, sofrendo as consequências das decisões dos outros. Não devemos apenas deixar de ser os bons alunos europeus, porque esse tempo já não é o tempo de agora, temos mesmo de dar o exemplo, de defender com convicção os nossos pontos de vista, de interferir no debate feito pelos países mais ricos e mais influentes no processo europeu. E não me digam que não podemos fazê-lo só porque somos pequenos e pobres. Nós só somos pobres porque o não fizemos; e pequenos nunca fomos.

Referiu recusar os discursos eurocépticos, e defende antes uma atitude crítica com vista ao que pode e deve ser melhorado. Frisou que não defende mais, mas melhor integração. No concreto, o que deve Portugal exigir?

Mais solidariedade no espaço europeu, porque sem ela não há espaço europeu que se salve. Mais subsidiariedade e democracia europeia, o que implica uma participação acrescida dos portugueses no processo de decisão europeu. E damos vários exemplos de como isso pode ser conseguido no nosso manifesto e nas 21 propostas para as eleições europeias. Não dizemos mal por dizer mal, mas sei exactamente o que deve e pode ser mudado e propomos já, neste manifesto, medidas concretas para o fazer. Não mudar por mudar, mas mudar para melhorar – a integração europeia (veja-se o cartão vermelho dos parlamentos nacionais que propomos) e a atitude de Portugal nela, como referi na pergunta anterior.

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