Portugal: dinossauro político numa Europa virada à direita

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PAULO COSTA PEREIRA

Os partidos socialistas estão em desgraça por toda a velha Europa. Em Portugal, só um acordo desesperado com antigos inimigos permitiu ao PS fugir à força do destino. Mas a hecatombe que os socialistas sofreram em Itália mudou o quadro político desta Europa, onde o liberalismo e a direita conservadora voltaram a impor-se. Nesta Europa, António Costa é mesmo o último da sua tribo…

Olhando para o mapa político da União Europeia, dir-se-ia que estávamos de regresso ao século XIX, quando os partidos liberais competiam pelo poder com os partidos conservadores. No conselho europeu, o “senado” da UE, o conselho europeu, orgão que reúne os chefes de Governo de cada Estado-membro, apenas restam 4 figuras socialistas, e juntos representam apenas 5 por cento da população do bloco. António Costa, o “último dos moicanos”, lidera o país mais populoso que ainda é governado por socialistas, sendo os restantes a Suécia, a Eslováquia e Malta. Tirando o fracassado Governo proto-comunista grego de Alexis Tsipras (cuja derrota nas próximas legislativas é provável) a esquerda não controla mais nenhuma capital no velho continente. No ano 2000 o centro-esquerda dois terços dos países que então constituíam a União Europeia, mas hoje até países tradicionalmente de esquerda como a Noruega são liderados por figuras que ocupam o lado direito dos hemiciclos.

Olhando novamente para o “senado” da UE, compreendemos quais são as duas forças políticas dominantes em 2018. 11 Governos, representando cerca de 55 por cento da população da UE, são conservadores, enquanto que 8 Governos, representando cerca de 24 por cento da população da UE, são liberais. A formação do próximo Governo de Itália ainda vai mudar mais estas contas, visto que este país representa quase 12 por cento da população do bloco. A esquerda, no entanto, está completamente fora desses cálculos.

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