Portugal já não é coisa séria

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A figura que deveria representar o Estado, no seu mais elevado grau, o seu Presidente, passeia-se em calções de banho, troca de roupa no areal, simula uns resgates no mar tranquilo do Algarve e no meio de tudo isto agarra-se a qualquer telemóvel para captar uma foto com um qualquer figurante. De permeio dirá qualquer coisa sobre qualquer tema e terminará na demanda de uma carinha laroca para depositar um beijo e um abracinho.

A segunda figura do Estado consegue ser mais discreto do que a primeira até o infeliz momento em que resolve opinar. E quando o faz emite um juízo pessoal nos temas que lhe interessam e nos quais se revê como individuo. E exclusivamente nesses, pois que de resto ninguém sabe exactamente qual o seu pensamento para o país, para a Assembleia da República, para com o Estado. Sem grande exagero dir-se-ia que a falta de senso será a sua característica mais evidente. E é a segunda figura do Estado. Nem num momento o ouvimos sobre os graves problemas que a república atravessa. Em síntese, é uma vergonha.

O Primeiro Ministro é, porventura, a pessoa que melhor se vendeu como a última grande promessa do partido socialista para ocupar esse lugar, tendo sido, na sua longa carreira de político, quase tudo em quase todos os lugares. Mas não lhe conhecemos uma ideia para o país, um projecto, uma concepção de Estado, nada. Conhecemos, isso sim, a sua ambição desmedida para ser poder, para exercer o poder, custe a quem custar. Já é tão extensa a sua longa série de equívocos, disparates, falta de carácter e, recentemente, falta de educação que pouca esperança acontece. Tudo é utilizado para a sua perpetuação no lugar. Incapaz de fazer uma crítica ao seu mandato, vilipendia quem o confronta com o seu legado na função. Em seis anos, a memória que nos surge são as vezes em que não esteve e não um qualquer projecto, norma, lei ou decisão de fundo. Um claro erro de casting.

A justiça é um outro pilar que define o país e, neste espaço geográfico que faz fronteira com o mar e com Espanha, segue num estranho caminho onde dificilmente a encontramos. Os doutos juízes estão todos lá e em funções; acontece, todavia, que as decisões que nos deviam ajudar a interpretar o que significa a força de um Estado tardam tanto que uma vida, por vezes, não é suficiente para a poder observar.

As forças da autoridade estão devidamente debaixo dos quatro elementos supra-referidos, pelo que será complicado ver um agente de autoridade de calções de banho a promover a segurança da população.  

Por fim, a quem nós devíamos a informação e o conhecimento dos factos, a saber os senhores jornalistas, não se percebe se o são de facto, ou se apenas braços quase armados do governo. Haverá, obviamente excepções, naturalmente honrosas, mas devidamente sentenciadas ao silêncio.

Perguntamos, pois: é isto um Estado? ■