Portugal, o pior da Europa em cuidados intensivos

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O esgotamento dramático da capacidade dos cuidados intensivos nas unidades do Serviço Nacional de Saúde tem sido atribuído pelo Governo socialista à “surpresa” de uma segunda vaga de Covid. “Ninguém estava à espera”, diz António Costa e dizem os seus ministros, escudando-se na Europa: “sucede o mesmo em toda a União Europeia”, argumentam.

Mais uma vez, o Governo do PS falta à verdade. Não só porque a segunda vaga era amplamente esperada por todos, mas também porque a capacidade de resposta portuguesa é uma vergonha, quando comparada com o que se passa nos outros países da União. Assim, Costa tenta esconder a falta de organização e de preparação do Governo, e o estado miserável a que este deixou chegar o SNS, fechando a população em casa e condenando a economia a uma falência ignóbil.

Número total de camas de cuidados intensivos por cada 100.000 habitantes

Não se trata de uma opinião, mas sim de um facto bem comprovável. Portugal (reconhece-o a própria ministra da Saúde) tem uma capacidade máxima de cerca de 1.200 camas de cuidados intensivos no sector público (já incluindo alguns “desenrascanços” improvisados), a que podem acrescentar-se escassas centenas no sector privado. Contudo, em situação de epidemia ou pandemia, como agora sucede, esse total de cerca de 1.500 camas fica absolutamente esgotado. Neste momento, o Covid ocupa toda a disponibilidade de camas de cuidados intensivos, sendo desprezadas todas as demais patologias, cujos pacientes acabarão por morrer por falta de assistência. Como é possível que um país de 10 milhões de habitantes, um ano depois do início do surto pandémico, apenas disponha de pouco mais de mil camas de emergência no sector público? É este o grande apego que o Governo socialista diz ter ao Serviço Nacional de Saúde?

As instituições privadas de saúde, dado o estado de emergência em que nos encontramos, já ofereceu ao Serviço Nacional de Saúde mais de 700 camas para cuidados gerais, contribuindo assim para minorar a média que, também aí, Portugal regista (340 camas de cuidados gerais por 100.000 habitantes, quando na Alemanha esse número sobe a 800 camas e na União Europeia a média é de 504). 

Para se compreender a miséria terceiro-mundista destes números, basta fazer uma comparação com outros países. A Alemanha, país que lidera a Europa em termos de organização hospitalar, investiu fortemente nos cuidados intensivos e dispõe hoje de cerca de 28.000 camas nesse sector da saúde pública, o que corresponde a mais de 29 camas de cuidados intensivos por cada 100.000 habitantes. Portugal tem 4,2 camas para o mesmo número de habitantes, enquanto a média dos países da União Europeia ultrapassa as 11 camas por 100.000 habitantes.

O índice que publicamos nesta página (elaborado por quatro eminentes catedráticos, um deles português, o Professor Doutor Rui Moreno, da Unidade de Cuidados Intensivos Neurocríticos e Trauma do Centro Hospitalar Universitário de Lisboa Central, e publicado na revista especializada ‘Intensive Care Medicine’) resume uma situação vergonhosa e trágica para Portugal.■