Promessas!

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Costa e o seu “Ronaldo das Finanças” voltam ao ataque nas contas públicas. O primeiro-ministro promete o primeiro excedente orçamental em democracia. Azar dos azares, José Sócrates, tal como o seu antigo ministro hoje, também se vangloriava de bons índices orçamentais, e depois foi o que se viu. Nessa altura, os números reais estavam mascarados por medidas temporárias e truques estatísticos, e pouco depois Portugal entrou em bancarrota. Podemos confiar no que Costa nos promete?

O primeiro-ministro quer dar uma no cravo e outra na ferradura, deseja ser um líder de esquerda ao mesmo tempo que tem as contas em ordem. Para o alcançar faz umas cativações aqui, dá a uns e tira mais a outros ali, tendo aumentado a carga fiscal para níveis nunca vistos. Mas outra solução, na qual Sócrates fez escola, é simplesmente mascarar os números. 

Ora vejamos a lição que nos ensina a história. 

Corria o ano de 2008, e José Sócrates, então primeiro-ministro de Portugal, proclamava de forma triunfal no Parlamento que os números das contas públicas eram “bons resultados, muito positivos e que superam todas as melhores expectativas”. Na boca do então líder socialista, o proclamado défice de 2,6 por cento representava “o valor mais baixo da democracia portuguesa”, concluindo que “ainda está para nascer um primeiro-ministro que tenha feito melhor no défice”. Na realidade, o número verdadeiro, sem truques estatísticos, encontrava-se muito acima dos 3 por cento, mas só depois se descobriu.

Uma década mais tarde, em 2017, outro Governo socialista anunciou com pompa e circunstância que também conseguiu alcançar “o défice mais baixo da nossa democracia”, tendo até espalhado cartazes com esse “facto” por todo o País. Coincidentemente, esta campanha publicitária aconteceu em ano de eleições autárquicas, que o PS viria a vencer de forma estrondosa. Sócrates também viria a vencer as eleições legislativas de 2009 com a mesma história. O Partido Socialista em nada mudou nas suas tácticas.

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