PS manipula opinião pública como Salazar nunca sequer sonhou

0
1225

O Partido Socialista conseguiu a proeza de manipular a opinião pública de uma forma que Salazar nunca sonhou. Conseguiu-o através de uma poderosa máquina de propaganda, da marginalização do processo democrático, de relações clientelares com sectores da economia e da sociedade e devido a uma certa indiferença dos portugueses em relação ao futuro de Portugal. O fenómeno não é novo, mas nunca terá atingido a mesma dimensão.

Contudo, não é particularmente difícil reconhecer a decadência do País em relação aos outros povos europeus e constatar os erros da governação que lhes estão na origem. Erros improváveis para a generalidade dos outros países, seja devido às qualificações dos seus dirigentes, seja porque os eleitores não se deixam enganar com a mesma facilidade, seja porque essas democracias têm uma outra robustez. De facto, para o observador atento, é difícil de compreender a passividade da maioria dos portugueses perante a sucessão de acontecimentos negativos que conhecemos quase diariamente. Dado que tudo o que escrevo se baseia na realidade publicada, dou alguns exemplos:

PRR – Plano de recuperação e Resiliência – Aparentemente 75% dos portugueses acreditam que o PRR vai ajudar o País a recuperar, contra 60% dos restantes europeus em relação aos seus países. Em Portugal 36% têm dúvidas de que os fundos sejam bem gastos, contra 41% no resto da União Europeia. Entre os europeus 53% acredita que será preciso um bom controlo dos fundos sendo que mais portugueses, 71%, acha o mesmo, ou seja, há mais portugueses a pretender que haja uma boa gestão do dinheiro, porventura porque sabem que isso não aconteceu no passado, mas ainda acreditam no milagre, porque 53% confia na gestão de António Costa.

Em muitas outras áreas a experiência diz-nos o mesmo. A maioria dos portugueses queixa-se de tudo e de mais um par de botas, mas continua a acreditar em tudo que seja poder, para mais tarde lamentar quando a realidade lhe cai em cima com estrondo. Esta foi a razão de Salazar ter estado no poder quase meio século e de mais recentemente José Sócrates ter tido um apoio inquestionável, até que o País foi conduzido à ruina e isso se tornou indesmentível para os mercados financeiros. Só então a grande maioria dos portugueses compreendeu a realidade e estou certo que o mesmo acontecerá com António Costa.

Educação – O chamado ministro da Educação, Tiago Brandão Rodrigues, diz-se ufano porque cada aluno custa 6.200 euros por ano no ensino secundário, mais do que na escola privada, digo eu. Segundo ele, o custo por aluno disparou nos últimos seis anos mais de 30%, ou seja, o critério do ministro para a Educação é o dinheiro gasto e não o aproveitamento escolar, ou o resultado dos índices internacionais, que ele faz o possível por ignorar.

O mesmo critério é usado para contratar professores, apesar de haver cada vez menos alunos. O ministro acredita que a redução do número de alunos por turma é a solução e não a qualidade dos professores e do ensino que ministram. Por isso, quando o índice de aproveitamento das escolas privadas em relação às escolas públicas melhora substancialmente, como aconteceu o ano passado, o ministro justifica-se com as diferenças sociais das famílias, mas sem fazer nada para eliminar essas diferenças através das creches e do pré-escolar com alimentação e transporte.

Ferrovia e transportes – O ministro das Infraestruturas, Pedro Nuno Santos, afirma aos quatro ventos que a bitola ibérica da ferrovia portuguesa não é um problema nas ligações com a Europa. Contudo guarda para si o segredo de como isso se faz, ou onde é que existe no mundo esse segredo milagroso, e não informa os portugueses da data em que essa solução vai entrar em funcionamento.

Recentemente, enviei ao ministro uma carta com a informação publicada dos investimentos que estão a ser feitos nos países bálticos de 5,8bn de euros para construir 870 quilómetros de nova ferrovia em bitola UIC, sugerindo que ele possa dar aos seus colegas daqueles países o segredo nacional da ligação à Europa sem mudar a bitola. Esperemos que ele siga o conselho.

TAP – O mesmo ministro, agora com a ajuda da União Europeia, guarda ferverosamente o segredo da data e dos termos da restruturação da empresa. Entretanto, não faltam voos para quem quiser viajar, mas a maioria dos aviões da TAP continua em terra e a conta para os portugueses pagarem não cessa de aumentar. Aqui, existe apenas a curiosidade de saber o que o ministro vai dizer quando a empresa fechar a loja, ou quando os portugueses se cansarem de pagar a conta, ou quando a União Europeia cair na real, porque uma das coisas vai acontecer, só não sabemos quando.

Agência Nacional de Inovação – Fui porventura dos primeiros portugueses a falar de inovação há muitos anos, mas agora António Costa e o seu Governo não se calam com a inovação. Ainda bem que assim é, só que o EUROSTAT acaba de publicar a posição de Portugal nesta matéria e estamos na última posição de entre os 27 países da União Europeia nas exportações de produtos de alta tecnologia, atrás da Grécia e da Bulgária. É caso para dizer que bem prega frei Tomás

Corrupção no PS – A corrupção não existe apenas no PS, mas é o partido que se mantém no poder há muito mais tempo e que mais fez para controlar a Justiça. É também o partido cujos simpatizantes e filiados estão na linha da frente da corrupção, com os governos do PS a lateralizarem o assunto. Não por acaso, uma das primeiras decisões de José Sócrates foi substituir o Procurador-Geral da República e António Costa seguiu-lhe o exemplo, substituindo a líder do combate à corrupção do tempo de Passos Coelho, Joana Marques Vidal. Assim, os casos de corrupção amontoam-se nos tribunais e o juiz Ivo Rosa continua a fazer das suas, a mando de quem não sabemos.

Sabemos que esta semana vai iniciar-se o julgamento de um dos casos de corrupção do PS mais relevantes, que se iniciou quando eu estava no Parlamento de 1995 a 1999. Trata-se do caso dos Colégios GPS, em que o fundador António Calvete era visita regular do Parlamento, com o apoio da Federação do PS de Leiria e do socialista José Miguel Medeiros. Desta colaboração resultaram cerca de 300 milhões de euros de apoios do Estado e cerca de trinta milhões desaparecidos em combate. A PJ encontrou dinheiro, ouro, muitos carros de alta cilindrada e os mais variados bens, nada a que o PS não esteja habituado. O caso das golas antifogo é apenas mais um de entre as muitas dezenas emperrados no sistema de Justiça.

O Governo e o Partido socialista já passaram a fase de ligarem a todos os casos pendurados na Justiça, ou de se preocuparam com quaisquer ilegalidades cometidas. O caso do Conselho das Finanças Públicas andar a pregar no deserto, ou a ausência do decreto-lei de execução orçamental da parte do ministro João Leão, são minudências para António Costa. Nem Salazar conseguiu um tão elevado nível de impunidade. ■