PS ou não PS, eis a questão

A grande zona de ruptura entre as propostas de Rui Rio e Paulo Rangel é a relação política futura com o PS. Rangel mostra-se totalmente contra qualquer tipo de entendimento com António Costa.

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Rio & Rangel

O candidato afastou qualquer hipótese de relação com os socialistas ou de reedição de um bloco central. Rangel tem repetido que, caso vença, vai a eleições legislativas para ganhar e não para “sustentar governos socialistas”, privilegiando entendimentos com a direita.

Paulo Rangel falava aos jornalistas à entrada para um almoço com militantes sociais-democratas e interrogado se está disponível para entendimentos com o PS, caso seja eleito líder do PSD e primeiro-ministro, Rangel vincou que vai “a eleições para as ganhar”.

“Eu, sendo eleito líder do PSD, irei a eleições para as ganhar. Não irei para fazer entendimentos para sustentar governos do Partido Socialista”, reforçou, acrescentando que o voto no PS é “inútil porque agora não tem a ‘geringonça’ e não vai ser capaz de refazer um acordo à esquerda”.

“E, por outro lado, é também um voto injusto. Porque se nós estamos na situação de impasse que se vive hoje em Portugal isso deve-se ao Partido Socialista”, considerou.

No entanto, caso seja candidato a primeiro-ministro e não consiga a maioria absoluta, Paulo Rangel admitiu negociar com a direita.

“Se não for possível maioria absoluta, há os partidos a começar pelo CDS-PP, pela Iniciativa Liberal, que são partidos com quem nós temos muito boas relações e com quem podemos fazer um entendimento que pode levar à maioria absoluta”, afirmou.

Questionado, igualmente, sobre uma coligação com o CDS-PP às legislativas antecipadas, marcadas para 30 de Janeiro, Rangel insistiu que irá propor que “o PSD vá sozinho às eleições legislativas de 2022”.

Já sobre a elaboração das listas, disse não querer responder a questões internas, mas notou que “é evidente que o novo líder, que é o candidato a primeiro-ministro, é a pessoa que será responsável pela feitura”.

“Chegou a altura de vir alguém dizer com toda a clareza. É preciso reformar Portugal, é preciso criar riqueza. Não tenhamos medo das palavras, nós só podemos combater a pobreza, nos só podemos distribuir alguma riqueza se a criarmos”, realçou o candidato à liderança dos sociais-democratas, cujas internas se realizam em 27 de Novembro.

Voto inútil

Paulo Rangel afirmou, entretanto, que o voto no PS é um “voto inútil” e disse acreditar que o PSD pode “causar uma grande surpresa” e vencer as próximas eleições legislativas.

“O voto no PS é um voto inútil, António Costa andou a vender-nos a ‘gerigonça’ e o voto à esquerda no PS com a extrema-esquerda, durante seis anos, a dizer que era o voto que iria finalmente modernizar Portugal”, declarou.

“Se nós formos capazes de passar esta mensagem, eu tenho a certeza que com o descontentamento, com o desalento, com a desconfiança que o governo socialista de António Costa significaram nestes seis anos, nós poderemos causar uma grande surpresa e não apenas vencer as eleições de 30 de Janeiro de 2022, mas vencê-las com uma maioria que nos dê um governo para quatro anos”, sublinhou.

Para o eurodeputado, os seis anos de governo socialista sob a liderança de António Costa “foram seis anos perdidos” e quando o PSD esteve no governo “foi para endireitar contas que os socialistas desbarataram, fosse em 2002, fosse em 2011”.

Dando como um dos exemplos a Lituânia, a República Checa ou a Irlanda, Rangel lamentou que, actualmente, Portugal seja “quase o carro-vassoura” da Europa, tendo sido ultrapassado em termos de crescimento por países que há 20 anos eram “três vezes mais pobres” do que Portugal, o que atribui às políticas e falta de visão do PS.

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