PSD: Impugnação e boicote ensombram eleições

O PSD está em guerra aberta com o PSD/Madeira por causa das listas para as eleições Directas no arquipélago. O PSD nacional considera que só 104 militantes integram o caderno eleitoral, enquanto o PSD da Madeira afirma que existem cerca de 2.500 militantes activos.

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Face à polémica anunciada, o ex-líder madeirense Alberto João Jardim, colado à liderança de Rui Rio, decidiu impugnar a primeira volta das eleições no PSD por considerar que “o caderno eleitoral que está aqui, na Madeira, a servir de base é ilegal”.

Já Miguel Albuquerque optou por boicotar a segunda volta das eleições Directas que se realizam amanhã, sábado. “Vamos abrir as sedes para quê? Para depois os votos não contarem?” – disse ao jornal ‘Público’, mesmo antes de reunir a sua Comissão Política Regional, que veio a acompanhar a oposição do seu líder.

Mas voltemos ao cerne da polémica. Ainda se contavam os primeiros votos no último sábado quando Jardim informava: “Já está na mesa de Santa Luzia (PSD regional) e vou neste momento já impugnar as eleições para Lisboa”. Uma impugnação que o Conselho de Jurisdição Nacional acolheu ao tomar a decisão de não serem contados os votos da Madeira. “Acho isto um episódio lamentável porque o PSD aqui está a dar um ar perante o país de continuar-se no tempo das ‘chapeladas’ e da Francisquinha que paga 200 quotas. Isto assim não é um partido”, argumentou.

Apoiante de Rui Rio nas eleições para a presidência partidária, o ex-líder do PSD/Madeira, que esteve à frente do partido no arquipélago cerca de quatro décadas, sustentou que a situação “tem que entrar nos eixos. Já começou a nível nacional, tem que começar a nível regional”. Jardim considerou que esta é “obviamente uma forma de tornar mais transparentes os processos eleitorais nos partidos. E acho bom que se faça em todos os partidos, para cada indivíduo ser responsável pela sua militância, não haver mais o poder do dinheiro dentro dos partidos”, sublinhou.

Pagamento de quotas
Esta polémica, que não é a única neste momento no PSD, surgiu devido a uma divergência em matéria de contabilização do número de militantes na Madeira relacionada com o modo de pagamento das quotas. Segundo um regulamento de quotizações aprovado pelo Conselho Nacional do partido em Novembro, o pagamento das capitações mensais só poderá ser feito por multibanco (através de referência aleatória), cheque, vale postal, débito directo, cartão de crédito ou MBWay.

Acontece que a maioria dos militantes na Madeira paga as quotas directamente na sede, e em dinheiro, sendo que apenas 104 cumprem os requisitos do novo regulamento. A questão das quotas é uma verdadeira obsessão de Rui Rio, que já quando foi secretário-geral na liderança de Marcelo – há mais de vinte anos – criou um processo de refiliação que foi largamente contestado. E que acabou com o seu ‹despedimento› por parte do actual Presidente da República.

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