Quem pensam que enganam?

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Partido Socialista e o Governo possuem uma poderosa máquina de propaganda, em parte herdada de José Sócrates e em parte aperfeiçoada por António Costa, por via do crescente controlo do PS sobre o Estado e do Estado sobre a sociedade, com maior in uência sobre alguns meios de comunicação. Claro que nem todos, felizmente que muitos jornalistas resistem.

Uma das maiores preocupações do PS e do Governo, em ano de eleições, chega do lado da Justiça, em particular do Ministério Público e da Polícia Judiciária. Daí a conhecida falta de meios das duas instituições, em vista da crescente quantidade e complexidade dos crimes praticados, em particular oriundos da corrupção de colarinho branco, o que torna a Justiça mais lenta. Para o compreender basta pensar que durante o ano que agora terminou devem ter sido feitas centenas de buscas, envolvendo milhares de polícias e juristas com meios reduzidos.

Entretanto, há muitos acontecimentos nunca esclarecidos junto da opinião pública, como, por exemplo: qual a razão para a substituição de Joana Marques Vidal? Qual a razão para a tentativa de controlar o Conselho Superior do Ministério Público? Qual a razão para as constantes queixas sobre a morosidade da Justiça, quando as leis que contribuem para essa morosidade são feitas pelos deputados escolhidos pelas cúpulas partidárias, por razões de delidade aos chefes, em vez de escolhidos pelos eleitores? Qual a razão para as constantes queixas sobre as fugas do segredo de Justiça, quando o respectivo sistema informático está nas mãos do Governo através do Ministério da Justiça e não sob a jurisdição do Ministério Públi- co? Qual a razão por que o Governo não explica a causa de terem sido necessárias quatro tentativas para escolher o juiz Ivo Rosa para conduzir a fase da instrução do processo Marquês? De quanto tempo precisará o Governo para investigar uma questão informática tão simples? Qual a razão por que a Comissão de Ética, criada pelo Parlamento há anos, não produziu nada até agora, apesar das conhecidas ausências de decoro político e da procura de vantagens nanceiras dos deputados? Entretanto, qual a razão por que ao longo dos anos a Assembleia da República não controlou nenhuma das actividades ruinosas dos governos que destruíram a riqueza do País e o trabalho dos portu- gueses, nomeadamente na corrupção, no sistema nanceiro, nas privatizações e nos investimentos públicos?

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