“Quo Vadis Portugal?”

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Com o fim da “geringonça” e depois de todos os protagonistas políticos já terem tecido as suas considerações sobre as consequências políticas daí decorrentes, o país prepara-se para ir a votos, que é como quem diz… preparara-se não se sabe bem para o quê, nem como, nem com quem.

Seria interessante e honesto que os eleitores pudessem “ab initio” perceber qual é a visão e posição dos partidos políticos sobre os possíveis cenários da evolução da pandemia do Covid-19 nesta sua 5ª vaga, e os seus potenciais impactos nos resultados eleitorais das próximas eleições legislativas.

Se a pandemia evoluir desfavoravelmente, o que seguramente ninguém deseja, qual é a posição dos diferentes partidos políticos?

O país deve confinar novamente ou deve tentar preservar a economia e o emprego?

António Costa tem plena consciência das consequências desastrosas da gestão da pandemia na quadra natalícia de 2020 e que, para além de disputar as eleições com os seus adversários políticos, também as disputa com um “inimigo invisível”, que dá pelo nome de Covid-19. 

Se a situação pandémica estiver controlada e as famílias portuguesas puderem ter uma quadra natalícia de relativa normalidade, tal não deixará de beneficiar o actual primeiro-ministro, mas se a situação se descontrolar e houver novas restrições que impactem a economia e o emprego, tal não deixará de ser uma verdadeira “bomba-relógio” que pode explodir, a qualquer momento, com consequências eleitorais imprevisíveis.

Gerir a situação da pandemia sem eleições legislativas no horizonte é bem distinto do cenário eleitoral actual onde António Costa pode enfrentar uma “tempestade perfeita” e onde tudo se pode complicar.

Seria igualmente importante perceber se António Costa e o PS não obtiverem a ambicionada maioria absoluta, o que que cada vez mais parece uma miragem, sendo que o próprio, pedindo uma maioria, também afirma que governará com uma minoria… com quem?

O que suscita, desde logo, mais questões que seguramente todos gostaríamos de ver respondidas antes do acto eleitoral para podermos ter um “voto esclarecido e útil”, nomeadamente, porque é que António Costa, que agora não quer qualquer tipo de aproximação com o PCP nem com o BE, seus até agora “compagnons de route”, diz que, se necessário, governará sem maioria? Estará à espera de poder reatar a antiga relação e deixar de lado a traição? E o PCP e o BE que não permitiram a viabilização do Orçamento de Estado, porque haveriam de numa próxima legislatura viabilizar um governo do PS? Alguém conseguiria perceber e/ou aceitar o pântano político em que mergulharam o país para depois voltarem ao “primeiro amor”?

Com todos os defeitos e virtudes que se lhe possam atribuir, Cavaco Silva, no seu tempo, depois de ser derrubado com uma moção de censura, foi muito claro, ou tinha maioria absoluta ou não governaria – outros tempos e outros Homens! O que faz correr António Costa para que aceite governar a todo o custo, mesmo que isso signifique um tal contorcionismo político que o pode igualmente levar a ter de mendigar o apoio do PSD? Sim, esse mesmo, o tal com quem nunca negociaria. Sobre coluna vertebral, se tal se verificar, julgo que estaremos conversados…

Mas o eleitorado quererá igualmente perceber e deverá ser esclarecido, em tempo, pelo PSD sobre qual vai ser o seu posicionamento, ou os seus diferentes posicionamentos, porque de momento temos vários PSDs, com visões e posições muito distintas.

O PSD quer ser governo, tem um projecto para o país, quer ser uma verdadeira alternativa de poder?

É que, de facto, não poderia haver melhor momento para este verdadeiro clima de anarquia em que o partido mergulhou e de onde emerge uma questão fundamental, se não se entendem dentro do próprio partido para construir uma alternativa credível e forte para combater o PS e terem uma verdadeira e séria ambição de vencer as eleições, como é que pretendem convencer o eleitorado que depois das eleições conseguirão construir (ganhando ou perdendo as eleições legislativas) uma solução estável e viável que permita governar Portugal? 

Rui Rio se perder a disputa interna no PSD desaparecerá de cena. E Rangel se perder a disputa interna também sai de cena ou vai continuar a andar por aí?

Rui Rio se ganhar a disputa interna, mas perder as legislativas, parece que quer ficar por aí, pelo menos já afirmou que pondera viabilizar um governo do PS… (faz parte da condição humana insistir em amar quem não nos ama). E Rangel? Se ganhar a disputa interna, mas perder as legislativas andará por aí ou sairá pelo seu pé, visto que parece não querer amparar um governo minoritário do PS, antes de ser excomungado pelos mesmos que agora o carregam no andor e que anteriormente eram devotos de outra paróquia? 

Rangel quer ser primeiro-ministro e decidiu, com toda a liberdade que lhe assiste, que deveria assumir a sua condição sexual perante o país e considera que está preparado para liderar Portugal, que é um país envelhecido e, por reflexo e pela idade avançada de muitos eleitores, um país em grande medida conservador, será que esse Portugal já está preparado para ser liderado por Rangel?

Face a tantas dúvidas e perante tantas incertezas, impõe-se, por fim, perguntar: “Quo Vadis Portugal?”. ■