Só Pedro Passos Coelho pode federar a Direita

“Para além de Pedro Passos Coelho não consigo vislumbrar mais ninguém capaz de federar a área política da Direita, e mesmo ele poderá ter algumas dificuldades nas actuais circunstâncias”. Quem o afirma é Carlos Guimarães Pinto, fundador e ex-líder da Iniciativa Liberal que em declarações a O DIABO acrescenta que “mais do que pessoas, o que a Direita precisa é de ideias claras. Se as quiserem vir buscar ao liberalismo, tanto melhor”. Mas há um novo projecto no ar: “Dia 12 de Fevereiro será lançado o Instituto +Liberdade, que irá defender os pilares da democracia liberal: democracia, economia de mercado e liberdade individual”.

0
887

Ficou surpreendido com o resultado de Tiago Mayan na eleição presidencial?

Não, foi o bom resultado esperado. Aliás, apostei em Agosto que seria este o resultado. Mas fiquei positivamente surpreendido pela sua ‘performance’ nos debates. Esteve acima de candidatos com muito mais traquejo e defendeu muito bem as ideias liberais. Não sei se alguém no lugar dele teria feito melhor.

As ideias liberais estão a crescer em Portugal?

Sim, é evidente que estão a crescer. A eleição de um deputado – como o João Cotrim de Figueiredo – trouxe para a discussão pública um conjunto de temas que ninguém trazia. Muitas pessoas, especialmente jovens, começaram a conhecer uma ideologia nova apenas para descobrirem que afinal sempre foi a sua.

Recentemente disse ser necessário um líder à direita que não leve em linha de conta o Chega de André Ventura. Depois do resultado que ele conseguiu, altera o seu juízo de valor?

Não. Nenhuma força política passa a pertencer a uma família política por ter um bom resultado.

Espera que a Iniciativa Liberal tenha apostas fortes nas autárquicas de finais de Setembro?

Não estou envolvido no processo de decisão, mas acredito que sim.

As próximas eleições legislativas são o grande objectivo da Iniciativa Liberal?

São o grande objectivo de qualquer partido português porque são as eleições politicamente mais importantes. Para um partido novo como a Iniciativa Liberal, ainda mais.

Disse recentemente que Pedro Passos Coelho é o grande líder para federar a Direita. Quer concretizar?

Não consigo vislumbrar mais ninguém capaz de federar essa área política, e mesmo ele poderá ter algumas dificuldades nas actuais circunstâncias. No entanto, mais do que pessoas, o que a direita precisa é de ideias claras. Se as quiserem vir buscar ao liberalismo, tanto melhor.

pré-eleitorais para as legislativas. Quem deve ser chamado a essa grande coligação de direita?

Só defenderia coligações eleitorais se se cumprissem duas condições: os líderes dos partidos tivessem personalidades compatíveis com um projecto reformista e um conjunto de ideias comuns sobre o que querem fazer. Neste momento não estou certo de que alguma das condições esteja cumprida.

A concretizar-se, será mesmo
uma espécie de Aliança Democrática, uma nova AD?

A Aliança Democrática (AD) teve um contexto próprio e o contexto agora é diferente. Há coisas que não se repetem, mas poderá ser algo parecido, sim. Não acho, no entanto, que as condições existam de momento para isso.

Disse ir em breve lançar um novo projecto político. Pode clarificar?

No dia 12 de Fevereiro será lançado o Instituto +Liberdade, que irá defender os pilares da democracia liberal: democracia, economia de mercado e liberdade individual.

Qual a relação desse novo projecto político com a Iniciativa Liberal?

Nenhum. É completamente apartidário. Eu estou afastado da vida política activa. O partido está bem entregue, não precisa de mim para nada, e todos os dias aparecem novas pessoas capazes de dar a cara pelas ideias. O Tiago Mayan foi só mais um exemplo disso, e há mais de onde ele veio.

Nas próximas legislativas admite ser candidato ao Parlamento?

Não rejeito, gostava muito, mas não tenho lugar marcado. Será uma decisão que não passará por mim. O partido é muito maior agora e tem toda a legitimidade para achar que eu não sou a melhor pessoa para me candidatar em lugar elegível.

Em tempos de pandemia, o que prevê para a economia nacional?

A pandemia é um problema, mas um problema que foi agravado pela situação económica anterior de Portugal, que não permitiu que estivéssemos devidamente preparados, não permitiu que fôssemos capazes de compensar devidamente quem perdeu negócios em nome da saúde pública e que nos colocou na circunstância de termos uma economia incapaz de retomar crescimento perdido. A pandemia veio, acima de tudo, pôr a nu as consequências das políticas económicas dos últimos 20 anos.

Considera que a regionalização é boa para Portugal. Pode explicar as vantagens da regionalização para o país?

As estruturas regionais já existem, pelo que o fantasma da duplicação de estruturas não passa disso, de um fantasma. A questão é que essas estruturas não estão sujeitas ao normal escrutínio democrático. Os países mais desenvolvidos têm quase todos uma estrutura deste tipo. Percebem que há funções do Estado que não podem estar centralizadas e que devem ser devidamente escrutinadas democraticamente. Nós temos a mania de achar que as coisas que funcionam em todo o lado não funcionariam aqui. Dizem que haverá compadrio e corrupção no poder regional? Sem dúvida. Existe em todas as camadas do Estado e da sociedade. Mas haver mais escrutínio democrático não irá aumentar isso, irá diminuir. Há muitos mais incentivos à corrupção em estruturas opacas distantes das pessoas do que em estruturas escrutinadas de proximidade.

Teme que a ‘bazuca’ europeia seja uma vitória do socialismo e do compadrio. O que deve o Parlamento fazer para fiscalizar, também aqui, essas verbas de Bruxelas?

O parlamento deveria fiscalizar, mas não acredito que vá fazê-lo, por falta de vontade dos dois maiores partidos, o PS e o PSD. A forma como distribuíram as Comissões de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDRs) entre si demonstra bem que o conluio do centrão em torno dos fundos europeus se mantém.

Acredita em eleições legislativas antecipadas?

Só há eleições antecipadas quando o PS quiser. A prática dos últimos 25 anos é o PS só abandonar o poder quando quer e recuperá-lo quando quer. Se nada mudar, a crise terá de ser muito grande para o PS abdicar de gerir a ‘bazuca’ europeia. ■