A tensão entre os ministros das Finanças e da Saúde tem sido uma constante neste Executivo. A intensidade da briga sobe à medida que aumentam as dívidas por pagar na Saúde, área que não tem sido poupada ao esquema das “cativações”, essenciais para Mário Centeno conseguir apresentar bons dados macroeconómicos.

O Ministério da Saúde é, desde sempre, muito pesado em termos de esforço orçamental. Ultimamente, porém, todos os indicadores financeiros apontam para um agravamento substancial da dívida dos hospitais aos fornecedores, ao mesmo tempo que os directores hospitalares se queixam da demora na chegada de uma nova injecção de capital para sanear os pagamentos em atraso. Quando isto sucede num quadro de “cativações” geridas por um ministro das Finanças ansioso por mostrar trabalho, está o caldo entornado.

Mário Centeno foi ao Parlamento afirmar que existe má gestão da Saúde Pública e sublinhar que houve um aumento dos recursos para o sector, nomeadamente ao nível dos meios humanos – baseando-se no processo de selecção e validação (em curso no seu Ministério) das facturas em atraso que serão pagas com 500 milhões de euros injectados no início deste ano nos hospitais.

Dados da Inspecção-Geral de Finanças de Janeiro deste ano referem que as dívidas em atraso atingiram os 915 milhões de euros, mais 338 milhões de euros do que há um ano. Este aumento tem contribuído para a permanente fricção entre departamentos governamentais – e o palco do conflito tem sido a Unidade de Análise Orçamental instituída pelo Orçamento de 2018 para “monitorizar e acompanhar” os gastos no Serviço Nacional de Saúde.

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  • Paulo Reis

    Aumenta a dívida e a solução é criar mais uma comissão para monitorizar o aumento da respectiva. Mais uns tachos bem pagos que desviam ainda mais verbas que poderiam servir para pagar a quem está à espera. No ministério da saude ou das finanças não há ninguém capaz para fiscalizar e conter os gastos do SNS???