Um País, Dois Destinos: A estupidez da esquerda ou a estupidez da direita

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HENRIQUE NETO

Até hoje nunca compreendi a razão por que pessoas que se dizem de esquerda, como é o caso de Alfredo Barroso, se preocupam tanto que a direita portuguesa seja a mais estúpida do mundo, na medida em que a esquerda só teria a ganhar com isso. Por mim, o que realmente me preocupa é a estupidez da esquerda, até porque nos últimos vinte anos foi a esquerda que mais tempo governou o País, tendo-o feito de forma razoavelmente estúpida.

Porque não gosto de fazer afirmações que não possa demonstrar, acrescentarei alguns exemplos, dando assim uma oportunidade a quem queira debater o grau de estupidez da direita portuguesa em relação à estupidez da esquerda, o possa fazer.

Começando pela actualidade, que maior estupidez do que, a um ano do início do Mercado Único Ferroviário Europeu, que liberalizará o transporte por caminho de ferro na Europa, destruir a nossa principal empresa ferroviária, ou planear investimentos nas infra-estruturas ferroviárias em bitola ibérica?

Se a ideia é favorecer a entrada das empresas espanholas no nosso mercado e impedir a entrada das empresas europeias, impedindo por essa via a concorrência no mercado nacional e favorecendo os monopólios, reconheço que se trata de decisões realmente bastante simples e baratas, ainda que do ponto de vista do interesse nacional e do futuro do País sejam decisões realmente bastante estúpidas. Aliás, a Espanha está encantada de enviar para Portugal o material obsoleto de bitola ibérica que sai de circulação no país vizinho.

Claro que a estupidez não começou agora, teve o seu apogeu durante os governos de José Sócrates, com a obsessão de mais auto-estradas, e isso no momento exacto em que os outros países europeus optavam pela ferrovia e a União Europeia planeava o Corredor Atlântico, que financiaria, no caso português, imagine-se, a 85% do seu custo, o que nunca aproveitámos. O facto de serem governos de esquerda, que se dizem adversários dos combustíveis fósseis, para mais importados, mas que optaram pelo transporte rodoviário individual em vez do transporte ferroviário, talvez que este exemplo dê ao Dr. Eduardo Barroso a verdadeira dimensão da estupidez da esquerda.

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