Vira o disco e toca o mesmo

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O Partido Socialista ganhou no domingo passado as eleições legislativas com a maioria absoluta e ganhou o direito de governar durante os próximos quatro anos sem ser incomodado. Trata-se da tão desejada estabilidade pedida pelo Presidente da República, a que antes chamei a estabilidade dos cemitérios, que a maioria dos eleitores portugueses serviram ao PS numa bandeja. Eleitores que, recordemos, não escolheram, apenas aceitaram os escolhidos pelo partido e, nesse sentido, uma palavra triste para lamentar profundamente que José Ribeiro e Castro, do CDS, não possa defender na Assembleia da República a reforma das leis eleitorais.

Politicamente, a explicação para esta vitória do PS é simples: muitos milhares de votantes do PCP e do Bloco de Esquerda optaram desta vez pelo PS e ainda mais votantes que, tradicionalmente, votariam no PSD e no CDS, desta vez votaram nos novos partidos, o Chega e a Iniciativa Liberal. Porventura mais importante, centenas de milhares de eleitores aceitaram todas as promessas feitas durante a campanha por António Costa, promessas de bem-aventurança, preferindo ganhar o possível no curto prazo em detrimento do futuro dos seus filhos e netos.

Porque é disso que se trata, o Partido Socialista não mudou do dia para a noite e continuará a satisfazer as suas clientelas. A grande família socialista continuará a servir os melhores empregos aos seus membros, a fechar os olhos à corrupção que a beneficia e a estender a mão à União Europeia para que pague a conta. Para a grande maioria dos portugueses, o PS continuará a distribuir a pobreza que resulta do atraso da nossa economia no contexto de praticamente todos os outros países da União Europeia.

O Estado, que é a árvore das patacas da família socialista e a sua fonte de rendimento, tornar-se-á mais ineficiente, mais autoritário e as contradições geradas pela incompetência dos seus membros fomentará os mesmos erros do nosso passado recente. A bitola ibérica na ferrovia tornará Portugal numa ilha ferroviária incapaz de promover o transporte ferroviário de mercadorias e de passageiros para a Europa. A TAP continuará a sugar os recursos gerados pelo trabalho dos portugueses e dos europeus e acabará por ser entregue a uma empresa alemã, ou a qualquer outra, como já entregámos ao estrangeiro os sectores bancário, da energia, do cimento, naval e das telecomunicações. A economia dual, que ninguém quer reconhecer e menos ainda dimensionar, continuará a ter a sua metade pobre a dar cabo da produtividade nacional e a vegetar nas margens da sobrevivência, em que a única política positiva poderá ser o aumento do salário mínimo que, pouco a pouco, matará a maioria das empresas que agora empobrecem o conjunto da economia.

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