A gangrena dos juros da dívida e a falácia governamental

A gangrena dos juros da dívida e a falácia governamental

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José Figueiredo

Professor Universitário

São fenómenos como o da manipulação da situação financeira da Nação, em que se procura branquear e embelezar a realidade, que é bastante mais do que cinzenta escura, que levam à criação dos tais fenómenos populistas, que tanto incomodam os poderes vigentes em muitos países europeus.

A versão oficial dos governantes portugueses, nomeadamente do Presidente da República e do Governo, é de que Portugal vai no bom caminho.

Aliás, o valor do deficit público alcançado (que resulta do rácio entre a dívida pública assumida em cada ano e o respectivo PIB) foi mesmo objecto de gozo e fanfarra por parte de quem governa a Nação. Como disseram, “o deficit de 2,1% alcançado em 2016 foi o mais baixo da democracia portuguesa”.

Dado que a presente solução de Governo da Nação quer mostrar serviço ao nível da gestão da dívida da Nação, atentemos então sobre qual foi a evolução anual do pagamento de juros suportados pela dívida pública, conforme Tabela 1.

Assim, verificamos que os portugueses suportaram bem mais do que 8 mil milhões de euros de juros em 2016. Ou seja, afinal a hidra dos juros não deixou de aumentar neste mesmo ano, apesar do propalado crescimento económico, em particular por via do aumento da actividade do turismo.

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