Governo trava túnel no Tejo

A construção de uma terceira travessia do Tejo, entre Algés e a Trafaria, voltou a ser, a um ano de eleições autárquicas, uma das prioridades da agenda política de autarcas de Oeiras e Almada. Os defensores de uma terceira ponte ou túnel na Grande Lisboa sustentam que esta infra-estrutura pode sair quase a “custo zero” para o Estado português, desde que o Governo “saiba aproveitar” os fundos comunitários para projectos assentes em baixo nível de emissões de carbono.

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Autarcas de Oeiras e Almada, e mesmo alguns de Lisboa, defendem a necessidade de construção de uma terceira ponte ou túnel no rio Tejo, a ligar Almada a Oeiras. Mas, apesar de a construção de um túnel a ligar a Trafaria a Algés poder sair praticamente a “custo zero” para o Estado português, os ministros do Ambiente e das Infra-estruturas e Habitação, Matos Fernandes e Pedro Nuno Santos, “não se mostram muito disponíveis”, argumentando com a crise originada pela pandemia para adiarem uma resposta. Há outras prioridades, alegam.

O facto é que, entre todos os estudos desenvolvidos para encontrar alternativas de mobilidade entre as duas margens do Tejo, a solução que reúne maior consenso, entre os especialistas, passa pela construção de um túnel imerso, ligando a A33 à CRIL, no corredor Algés-Trafaria. 

Contudo, apesar de esse túnel poder ser financiado, em 80%, por fundos comunitários, o actual Governo não se mostra muito receptivo à ligação Trafaria-Algés, mostrando-se mais aberto a uma ponte entre o Beato e o Barreiro. 

Na base desta preferência parece estar, infelizmente, um preconceito ideológico: enquanto o corredor Trafaria-Algés é defendido por autarcas que prezam prioritariamente a lógica técnica e a conveniência social e financeira do projecto, a travessia Beato-Barreiro poderia ser usada pelos governantes socialistas como arma política, pois agradaria a vários sectores de esquerda e extrema-esquerda.

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