Festa do Avante indigna Portugal

Desesperado por dinheiro e por afirmação mediática, o Partido Comunista agarra-se a todas as desculpas para levar avante a sua festarola de Setembro. Mas a opinião pública já o condenou.

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Nas redes sociais, nos jornais e nos comentários de rádio e televisão, entre os outros partidos e na generalidade do País, a opinião é unânime: a realização da Festa do Avante, entre 4 e 6 de Setembro, na Quinta da Atalaia, no Seixal, é uma indignidade que os comunistas pagarão cara nas urnas.

Só nas fileiras do partido, entre os militantes mais fanáticos, se encontra quem defenda uma festarola que juntará na Margem Sul do Tejo cem mil pessoas, num contacto massivo que põe em causa todas as medidas de prevenção da propagação do Covid-19. Isto num ano em que verdadeiras manifestações nacionais, como o 13 de Maio em Fátima e as celebrações do 10 Junho, tiveram de ser anuladas em nome da saúde pública.

Sintetizando a opinião dos portugueses sobre a obstinação comunista, o conselheiro Marques Mendes disse no seu programa semanal na SIC que a insistência na realização da Festa do Avante “é uma decisão inacreditável” – não apenas da parte dos comunistas, mas também da parte do Governo e da Direcção-Geral da Saúde, que se preparam para autorizar o evento. “Como é que o mesmo Governo que proibiu os festivais de música no Verão por razões de saúde pública vai agora autorizar um festival de música em Setembro, só porque é organizado pelo Partido Comunista?”, pergunta o comentador televisivo.

Já o deputado ‘laranja’ Nuno Carvalho usou o sarcasmo para comentar a passividade governamental: “António Costa pediu a esquerda em casamento no debate do estado da Nação e o Avante é a festa de despedida de solteiro”…

Ao longo da última semana, o PC fez saber que representantes seus se reuniram longamente com técnicos da Direcção-Geral da Saúde, a fim de garantirem medidas de precaução aplicáveis a um festival para 100 mil pessoas. Mas toda a gente sabe que é impossível impedir o contágio num recinto a abarrotar como a Quinta da Atalaia, com vários espectáculos musicais a decorrerem em simultâneo e os visitantes saltitando entre barracas de comes e bebes – e os comentários que se ouvem na praça pública, da esquerda à direita, não deixam dúvidas a este respeito. Até o Bloco de Esquerda, que notoriamente cancelou várias concentrações partidárias “para dar o exemplo”, mantém sobre a Festa do Avante um silêncio condenatório.

O Presidente Marcelo Rebelo de Sousa, na sua ânsia de agradar a Deus e ao demónio, tem a sua quota-parte de responsabilidade na matéria, já que foi ele quem, em Maio, ao promulgar um diploma parlamentar limitando a realização de festivais, divulgou uma nota afirmando que “se uma entidade promotora definir como iniciativa política, religiosa, social o que poderia, de outra perspectiva, ser encarado como festival ou espectáculo de natureza análoga, deixa de se aplicar a proibição específica prevista no presente diploma”.

A isto mesmo se agarrou esta semana o PC, argumentando que a Festa do Avante é uma “iniciativa política”, e não um festival de música. “Não há qualquer excepção para o PC, além do mais porque a actividade política não está suspensa”, reza uma nota oficial dos comunistas. “O próprio Presidente da República o afirmou”, diz a nota, citando o imprudente comentário feito em Maio por Marcelo.

Paradoxalmente, o mesmo Marcelo considera agora a insistência comunista na Festa do Avante “incompreensível”. Está à vista de todos que o que é incompreensível é o zigue-zague do próprio Presidente. ■