Federalismo europeu chega à cena nacional

O presidente eleito do Volt Portugal, Tiago de Matos Gomes, considerou, no encerramento do seu I Congresso, que partidos tradicionais como PS e PSD “começam a esgotar-se”, contrapondo que o seu oferece “um projecto de futuro” numa Europa federalista.

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A proliferação de partidos continua, e a fragmentação do eleitorado pode fazer desperdiçar muitos votos que dessa forma deixam de contar para uma solução alternativa à da geringonça capitaneada por Costa. A última formação a surgir na cena política nacional é o Volt Portugal – ramo nacional de um ‘franchising’ político à escala europeia.

“Os partidos tradicionais e fundadores do regime iniciado em 1974 parecem começar a esgotar-se. Em ideias, em respostas. Devemos-lhes muito. Foram eles que fizeram de Portugal uma democracia liberal europeia de tipo ocidental. Que nos colocaram na então CEE. Que consolidaram a democracia. Mas o que têm hoje PS e PSD, os dois maiores partidos portugueses, a oferecer?”, questionou Tiago de Matos Gomes, eleito presidente no I Congresso nacional do novo partido, realizado em Lisboa.

Para a direcção, o Volt Portugal oferece “um projecto de futuro”, assumindo como objectivo a missão pedagógica de explicar à sociedade portuguesa as vantagens de uma “europa federal”.

Tiago de Matos Gomes anunciou ainda que o Volt Portugal avançará com um referendo interno para decidir sobre as eleições presidenciais, priorizando as eleições autárquicas, que serão “as primeiras em que o Volt se apresentará ao eleitorado como partido”. O fundador do movimento em Portugal considerou ainda que “só uma Europa unida pode dar respostas eficientes e ter voz no palco global, influenciando positivamente o rumo dos acontecimentos”, assegurando que o partido não faltará ao combate aos “nacionalismos, extremismos e populismos”. “O sucesso da Europa é o sucesso de Portugal e dos portugueses!”, rematou.

Catorze Volt na Europa

A lista ‘A’, encabeçada por Matos Gomes, era a única candidata à Comissão Política Nacional (Direcção) do Volt Portugal. O Volt Europa, no qual o ramo nacional se insere, conta com 14 partidos oficializados em todo o espaço europeu, cerca de cinco mil membros e mais de 55 mil apoiantes.

No discurso de encerramento do I Congresso do Volt Portugal estiveram presentes, como convidados de etiqueta, o deputado à Assembleia da República Porfírio Silva, do PS, Ângelo Pereira, Presidente da Comissão Política Distrital de Lisboa do PSD, Rui Prudêncio, pelo PAN, Carla Castro, da Iniciativa Liberal, Tomás Cardoso Pereira, do Livre, e ainda o eurodeputado Francisco Guerreiro (ex-PAN). Estiveram também presentes Diogo Reis, pelo partido Reagir Incluir e Reciclar (RiR) e um representante da Associação Nacional de Freguesias (ANAFRE).

O movimento, que surgiu em Portugal em 28 de Dezembro de 2017 mas só agora irá a votos entre nós, conta com um eurodeputado no Parlamento Europeu, Damian Boeselager, eleito pelo Volt Alemanha nas eleições de Maio de 2019.

O I Congresso do Volt Portugal assumiu como objectivo do mandato ser um “parceiro de solução parlamentar ou de governo” e influenciar os “grandes partidos”. No I Congresso, a única lista candidata à Comissão Política Nacional (direcção), encabeçada por Tiago de Matos Gomes, foi eleita com 64 votos favoráveis e apenas um branco. Para esta direcção foram ainda eleitos Mateus Carvalho (vice-presidente), Ana Carvalho (secretária-geral) e Tânia Girão (tesoureira), num total de 17 membros.

“O Volt Portugal tem como ambição, numa primeira fase, tornar-se num partido charneira, ou seja, poderá tornar-se um parceiro de uma solução parlamentar ou de governo, que deverá influenciar os grandes partidos para mudar a sociedade portuguesa”, pode ler-se na moção de estratégia apresentada pela lista vencedora. Neste texto são ainda traçados objectivos eleitorais a médio prazo, nomeadamente para as presidenciais, nas quais o partido ainda não decidiu se vai ou não apoiar algum candidato.

Durante o Congresso, vários ‘volters’ priorizaram as eleições autárquicas em detrimento das presidenciais, caracterizando-as como “uma oportunidade única” para dar visibilidade ao partido e para as quais o Volt Portugal quer apresentar candidaturas nas áreas metropolitanas de Lisboa e Porto, “de forma independente ou em parceria”.

Coligações partidárias

Ainda no debate sobre as autárquicas, as opiniões divergiram quanto aos partidos a privilegiar em futuras coligações partidárias, tendo o Congresso concordado em apenas excluir “forças políticas extremistas”.

O Volt Portugal defende o federalismo europeu, a criação de um Parlamento Europeu “com iniciativa legislativa”, um Senado europeu, o estabelecimento de “um governo europeu eleito e um Presidente europeu eleito por sufrágio universal” e ainda umas Forças Armadas Europeias. Por considerar que a dicotomia esquerda-direita está esgotada e que “o século XXI precisa de partidos do século XXI”, o Volt posiciona-se politicamente como um partido “progressista”, priorizando o pragmatismo na tomada de decisões políticas independentemente da ideologia.

Além da Comissão Política Nacional foram eleitos membros para o Conselho Nacional, Conselho de Fiscalização e Auditoria, Conselho de Jurisdição Nacional e o Comité de Direitos, num congresso que contou com a participação de cerca de 60 membros.

Andrea Venzon é o fundador do movimento ‘Volt Europa’, que também já é partido político na Alemanha, Bulgária, Bélgica, Espanha, Holanda, Itália, Áustria, Luxemburgo, Dinamarca, França, Reino Unido e Suécia. ■