Orçamento: Ninguém quer ficar com a batata quente da aprovação

A pandemia está a colocar o Orçamento do Estado para 2021 no cerne de uma crise económica e social que poderá ganhar contornos políticos. Marcelo Rebelo de Sousa, que por razões constitucionais só volta a poder dissolver a Assembleia em Março do próximo ano, receia que a turbulência política se agigante nos próximos tempos. E tem fundadas razões para esse receio, sobretudo na perspectiva de uma crise política coincidir com um pico de descontrolo na pandemia que afecta Portugal e o Mundo.

0
113

Sempre suspeita de fazer o mal e a caramunha, a coordenadora do Bloco de Esquerda, Catarina Martins, assinalou no início da semana que “há quem tenha vontade de ter uma crise política”, e que o PS habitualmente utiliza este argumento quando “as negociações são mais incómodas”. Mas António Costa prefere outra narrativa: para o primeiro-ministro, “as negociações com os nossos parceiros parlamentares têm vindo a decorrer com avanços positivos”. E logo avisou: “Já temos uma crise sanitária, acrescentou-se uma crise económica e uma crise social. Haver uma crise política era absolutamente insano e injustificado. Creio que nada justifica que isso venha a acontecer. Pelo contrário, acho que as negociações têm vindo a decorrer de forma a ficarmos com um bom Orçamento para 2021”.

Na aparência, António Costa está a dar passos para se aproximar das reclamações laborais da extrema-esquerda. Durante a V Cimeira do Turismo, que esta semana decorreu em Lisboa, Costa referiu que, tendo em conta a evolução da economia, está a “preparar a flexibilização da medida de apoio à retoma, sucedâneo do ‘lay-off’ simplificado”, sem adiantar mais detalhes. O ‘lay-off’ simplificado foi substituído em Agosto pela medida de apoio à retoma progressiva e pelo incentivo financeiro extraordinário à normalização da actividade empresarial (que contempla um apoio equivalente a dois salários mínimos por trabalhador pago ao longo de seis meses ou a um salário mínimo pago de uma vez).

Durante a sessão de abertura da cimeira, o presidente da Confederação do Turismo de Portugal (CTP), Francisco Calheiros, pediu precisamente que o lay-off simplificado fosse reposto “o mais depressa possível”, garantindo que se as medidas não forem ágeis isso irá levar a um aumento do desemprego.

Na opinião do chefe do Governo, a crise gerada pela covid-19 “atinge mais os sectores que dependem do contacto de seres humanos e o turismo será seguramente dos sectores atingidos por esta crise”, garantindo que era importante manter os activos das empresas e os recursos humanos qualificados.

• Leia este artigo na íntegra na edição em papel desta semana já nas bancas •