A volta da Suíça sul-americana

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Mesmo com pandemia e crise mundial, o novo Uruguai, recém-saído de 15 anos de governos de esquerda, começa a dar os primeiros passos para voltar a ser o país com melhor qualidade de vida da América Latina, com uma população estável, há décadas nos 3,5 milhões de habitantes, excelente nível de educação e exemplar segurança pública.

O país, que foi parte de Portugal e Brasil e parte da Espanha e Argentina, obteve sua independência em 1828 graças à intervenção inglesa, que queria colocar algo entre a Argentina e o Brasil. Foi uma democracia exemplar. Com o agronegócio de qualidade, sua lã era a mais cobiçada pelo mercado internacional.

Nos anos 1960, quando do ‘rush’ da União Soviética tentando implantar seu regime no Brasil, Uruguai, Chile e Argentina, o país passou a viver o drama do terrorismo do movimento denominado Tupamaros, tendo como consequência seu declínio económico e social. Em 1973, os militares tiveram de intervir, como haviam feito no Brasil, Argentina e Chile, para conter a ousada acção dos guerrilheiros treinados em Cuba.

No final dos anos 1980 e início dos 1990, começou a se recuperar pela habilidade do presidente Julio María Sanguinetti, mas acabou caindo nas mãos das esquerdas, com muitos oriundos do terrorismo, como o presidente Mujica, que afastaram investidores, passando o país a perder qualidade de vida, a ter o êxodo da juventude de nível superior e a piora da segurança pública, que fora exemplar. Hoje, sua presença sequer se nota no mercado financeiro da Espanha, EUA e Londres. Sobreviveu do turismo em sua costa, onde Punta del Este e San Ignacio atraem milionários argentinos e brasileiros do sul e de São Paulo. Bons empregos apenas nos bancos, pois os governos de esquerda não mexeram no sistema que faz do Uruguai uma espécie de paraíso fiscal dentro da actual legislação. Os bancos podem abrir contas para estrangeiros, em várias moedas, desde que com a origem lícita comprovada.

Agora, com o governo conservador do presidente Lacalle Pou, filho e bisneto de ex-presidentes do país, as portas estão abertas para a atração de estrangeiros para residência, com a diminuição dos valores necessários na compra de imóveis e outros investimentos, assim como a exigência de permanência anual dos imigrantes que passou a ser de apenas 90 dias por ano. Isso fez com que 2020 ficasse marcado pela chegada de milhares de argentinos que fogem da política esquerdista do actual governo, que controla câmbio e aumenta impostos, na velha receita socialista.

Mas o grande benefício está sendo na captação de parte das empresas multinacionais em fuga de Buenos Aires. Embora a maior parte esteja se destinando a São Paulo e Rio de Janeiro, dada as dimensões do país, o que sobra é significativo. O presidente, em entrevista aos correspondentes estrangeiros em Montevidéu, esta semana, declarou: “O Uruguai é uma nação de portas abertas, com uma política migratória que oferece segurança pública, jurídica e económica”. Desde a posse de Fernandez, segundo a revista ‘The Economist’, mais de 20 mil argentinos pediram residência no país vizinho. O Uruguai tem mais de dez zonas francas específicas, uma das quais para a indústria farmacêutica. O país está situado entre duas das três maiores economias do continente, a Argentina e o Brasil.

Exemplo do mal causado por regimes populistas é a Argentina, que, até o peronismo dominar o país, era a maior potência económica do continente, sendo que Buenos Aires teve seu metropolitano quase 40 anos antes das demais capitais sul-americanas. Agora, parece que chegou ao fundo do poço. ■