Deu a louca na Espanha

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Encontro velho amigo brasileiro, radicado na Inglaterra há muitos anos, na rua, em Madrid. Está passando uns tempos ali, em tratamento de saúde. Entramos no bar de um hotel para colocarmos a conversa em dia, depois de mais de dez anos sem nos falarmos.

Indagado sobre o que fazia ali, disse que “há mais de 40 anos faço pelo menos uma viagem à Espanha, país de que gosto, e hoje considero Madrid a melhor capital da Europa. No bairro Salamanca, onde fico [e estávamos], não se percebe imigrantes nas ruas, as calçadas são impecáveis e comércio e gastronomia, de excelência. E os museus sempre imperdíveis”.

Ele me recomenda acelerar as visitas, pois aquela paz vai terminar em breve. Era o que já temia, pois leio o La Razón, quando em Portugal, e pela Internet, do Rio, e percebi a guinada muito forte para a esquerda nesta composição de governo, que havia sido empossado dois dias antes.

Meu amigo alinha que o país tem uma agenda que passo ao largo da economia prudente. Isso apesar de ter dívida externa perigosa, problemas com bancos, corrupção, desemprego e problemas políticos graves, como o separatismo catalão, a imigração descontrolada e o aumento da violência urbana.

Chama minha atenção também para as prioridades da esquerda radical, que, depois de retirar os restos mortais de Franco da Basílica do Valle de Los Caídos, quer fazer o mesmo com outros próceres do franquismo, em igrejas de todo o país, como é o caso do General Marques Queipo de Llano, em Servilha. 

E mais: a nova ministra dos Direitos do Cidadão declarou, na posse, que a educação dos filhos é do país e não necessariamente dos pais, que vão deixar de interferir no método praticado nas escolas. Quando muito, poderão trocar de instituição. 

Outra pauta prioritária será proibir em todo o país a presença de animais nos circos, uma tradição circense, e tendo a Espanha 32 circos de grande porte registados. Há ainda novas investidas contra as touradas, que são tradição no país e empregam cerca de 200 mil pessoas na criação dos touros e nas arenas.

Os impostos, que já são altos, podem subir mais, o que já vem provocando a fuga de capitais, especialmente para a América do Norte. 

As leis trabalhistas, responsáveis por parte do desemprego, provocam protestos de sindicatos, como o dos empregados domésticos e cuidadores, que não querem o aumento do salário mínimo em discussão, pois seus empregos são complementares da renda familiar, ‘part time’. Além disso, com o grande aumento e cobrança previdenciária aumentada, vão desempregar mais de 300 mil dos 500 mil registrados.

O novo governo prometeu a seus aliados à esquerda melhor tratamento a Maduro e linha de apoio às manifestações no Chile. Aliás, a Ibéria pensa em diminuir sua frequência a Santiago, pois a ocupação do voo diário oscila, desde novembro, em torno de 20%.

Um quadro assustador! ■