O cancro da social-democracia

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Uma análise pragmática do pós-guerra no processo económico e social deixa bem claro que a qualidade de vida sustentada dos povos, com riqueza e mais justiça social, foi nos países em que o capitalismo liberal prevaleceu. São os casos dos EUA de Ronald Reagan, do Reino Unido de Thatcher, da objectiva Suíça, do salto da Espanha sob conservadores, e da Alemanha. 

A trava das últimas cinco décadas em países como Portugal, Espanha, França e emergentes, como o Brasil, se deve a forte presença social-democrata, com a dubiedade entre socialismo e capitalismo social. Esta postura indefinida resulta em alta carga fiscal, leis laborais desestimuladoras do emprego, administração pública inchada e injusta, com salários superiores ao sector privado e baixa produtividade, com excesso de garantias e vantagens. 

Uma parte dos social-democratas é de equivocados bem-intencionados, mas que sofrem forte influência de uma minoria, que não é social nem democrata, formada pelos chamados criptocomunistas.

O empresário brasileiro Salim Mattar, fundador da maior locadora de veículos da América Latina, a Localiza-Hertz, depois de uma frustrada passagem pelo governo, encarregado das privatizações que não ocorreram em dois anos, hoje, dedica-se à defesa do ideal liberal, como instrumento de crescimento económico com justiça social. Em recente palestra, bradou: “A situação caótica da economia brasileira é fruto de 35 anos da social-democracia. Depois de 20 anos de forte intervenção do estado, com os militares. A favor destes, o acervo de grandes obras na infraestrutura de transportes, energia e comunicações”.

A sociedade brasileira começa a acordar para o absurdo de seu sector público consumir, excepto juros da dívida, mais de 15% do Produto Interno Bruto (PIB), sem a contrapartida de outras nações, como EUA e Reino Unido, com menos 15%. Gastos basicamente com funcionalismo.

A dificuldade de avançar com as reformas mais urgentes vem de uma doutrinação de décadas nas escolas, de todos os níveis, públicas ou privadas, de teses socialistas, nacionalistas, trabalhistas. Consolidou-se na cabeça dos políticos e de parte da população que o governo fabrica dinheiro e que, fabricando mais, pode gastar mais. Inflação e endividamento público, com as suas consequências, não passam pela cabeça dos políticos de formação social-democrata ou socialista. Austeridade e produtividade são temas ignorados, quando não combatidos.

Estima-se que mais de 80% dos processos que tramitam no Judiciário sejam laborais ou com participação das Finanças. As leis trabalhistas e os impostos – cerca de 60 diferentes – provocam este contencioso, que custa caro a todos. E assusta investidor.

Desburocratizar, vender estatais, diminuir o tamanho do Estado, fica cada vez mais difícil, inclusive pelos espaços nos ‘Media’ dos analistas de esquerda, desproporcionais aos dos liberais e conservadores. Os prazos dos títulos da dívida pública estão cada vez menores, com juros a 2%, não se sabe até quando. A inflação ensaia uma volta.

O patrono do liberalismo económico, Roberto Campos, morreu triste por não ver o Brasil conhecer o livre mercado, o Estado menor, a inciativa privada com autonomia para investir, gerar riqueza, emprego e renda.

A experiência tem mostrado que é melhor um governo socialista, que leva logo a crise à economia e, em consequência, ao social, do que a acção social-democrata, que anestesia a sociedade enquanto a encaminha para o centralismo económico, a regulação burocrática e intervém no mercado.

Neste ano, o endividamento provocado pela covid-19 está presente em quase todos os países. A diferença vai ser a maneira de encarar a volta à normalidade. ■