A doçura dos patetas alegres do PS

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Cavaco Silva e a sua equipa escreveram no “Observador” um artigo irónico que foi um tiro criativo e certeiro contra os poucochinhos resultados e nenhumas reformas de Costa. 

Foi revelador ver que os ministros de Costa e certos jornalistas, igualmente fracos, não negaram os exemplos de prosperidade e convergência com a Europa nos governos de Cavaco, que contrastam com a austeridade e queda de Portugal para último nos índices europeus nos governos de Costa. Como não conseguiram negar os minúsculos resultados socialistas, partiram para o habitual insulto e propaganda. Foi a insultarem como fraco o honesto e íntegro Seguro, em propaganda coordenada, que tomaram o poder. Agora insultaram Cavaco em vez de ouvirem o seu apelo para que, finalmente, o PS fizesse mais que poucochinho ao fim de seis anos de governo, regalias pessoais e festas como a TAP ou Novo Banco. 

O tema insultuoso contra o ex-Presidente Cavaco, a parecer coordenado e combinado, mas quiçá uma coincidência, foi o mesmo entre ministros, comentadores televisivos eternamente contentes com o poder socialista e jornalistas de jornais que recebem subsídios estatais, sempre a porem os ministros socialistas no topo de “rankings” que inventam e em último quem os critica, claro. 

Para toda esta gente, Cavaco, ao apelar aos governos de Costa para que fizessem mais e melhor, teria “azedume” e seria “ressabiado”. Da televisão aos jornais, passando pelo Governo, de repente repetiram-se até à exaustão estes mesmo dois insultos contra Cavaco. Isto sem negarem, porque seria impossível, mesmo com toda a propaganda e cara de pau do mundo, que agora, com o PS de Costa e dos seus ex-JS de meia-idade, os portugueses estão mais pobres e com menos perspectivas de futuro do que com o PSD de Cavaco. O suposto virar da página da austeridade apesar da dívida crescente, da inflação ou do aumento de impostos caiu por terra com um só artigo de Cavaco. No entanto, a única coisa que conseguiram responder foi insultar o ex-presidente Cavaco como tendo azedume e ressabiamento. 

Fomos ver qual seriam os antónimos de azedume e ressabiamento, porque decerto com o oposto de Cavaco os socialistas se identificariam. Segundo dicionários formais e informais portugueses e brasileiros, um antónimo de azedume é doçura e o de ressabiado é pateta alegre decidido. Concordamos que os socialistas são, pois, precisamente o contrário dos insultos com que distinguiram que Cavaco. 

Com o seu artigo, além de fazer o dever patriótico de oposição e denúncia da incapacidade socialista – já que mais ninguém de peso político tem tido coragem para o fazer –, Cavaco quis motivar o novo líder do PSD, Luís Montenegro. Isto para que se inspire na garra política vencedora cavaquista ou passista e corte com a derrota e subserviência de Rui Rio ao PS. 

Rio talvez se tenha descaído definitivamente como possível colaborador socialista porque pôs gosto nos comentários desta gente. Rio validou e papagueou, parecendo também coordenado com o PS, o suposto azedume e ressabiamento de Cavaco. Postulamos, assim aterrorizados, que nos últimos seis anos Rio não fez o seu dever patriótico de chefiar a oposição a um governo de parcos resultados. Isto porque só um falso líder da oposição participa de bom grado na narrativa e propaganda socialista contra primeiro Passos e agora Cavaco. Nos últimos seis anos de empobrecimento, esbanjamento e constante endividamento socialista, com centenas de milhares de jovens qualificados a terem de emigrar para fugir da miséria económica, é plausível que não tenhamos tido líder da oposição, mas só um muito mau actor a fingir que o era. Merecíamos mais e melhor que Costa como chefe de Governo sem resultados e Rio como chefe da oposição sem se opor a isso.

O lugar e cognome na história de Costa poderá ser “o poucochinho” e o de Rio poderá ser “o lacaio”. Se de repente Costa recompensasse – perdão nomeasse – Rio para um lugar apetitoso não nos surpreenderíamos. Não afastamos ainda por completo a hipótese de Rio ser, simplesmente, uma nulidade incapaz de fazer oposição, mas já acreditamos mais nessa tese da bondade incompetente. Com Rio agora a apoiar Costa, renegando Cavaco como já tinha renegando Passos, ficamos cada vez mais desconfiados. Pomos a hipótese de que estamos perante mais um caso de doçura e patetice alegre pró-PS. Há mel para quem elogiar Costa. Costa não sabe gerir Portugal, nem governar ou reformar, só desperdiçar os nossos impostos e hipotecar o futuro, distribuindo benesses aos amigos e lacaios que o apoiam. 

Fazemos votos, portanto, para que Luís Montenegro seja muito mais, como Cavaco e Passos foram, e nada como o servil ou inábil Rui Rio. Rio foi sempre muito cordial, simpático e conivente com a narrativa de Costa, mas nunca teve qualquer simpatia para com o milhão de portugueses emigrados por causa de Sócrates e Costa esbanjarem os impostos e nos levarem repetidamente a tragédias financeiras. Ao final de seis longos anos sem confrontação vinda do maior partido da oposição, Portugal precisa de uma oposição competente e aguerrida. Sem isso passa, incólume, a propaganda socialista, que insiste que um povo que tem um dos menores poderes de compra da Europa, sempre a cair, virou a página da austeridade. 

No início dos anos 90, quando Cavaco governava, lembramo-nos da abundância, da esperança e do dinheiro que fluía entre a população. Nessa altura não havia emigração quase nenhuma, só imigração. Todos queriam vir para Portugal e os portugueses qualificados e jovens não precisavam de sair por motivos económicos. Fundavam famílias em Portugal e por aqui ficavam fazendo carreira e podendo comprar casa sem serem esmagados por impostos proibitivos e salários minguantes, como agora. O dinheiro das “bazucas” europeias chegava a uma grande maioria da população e contribuía para o desenvolvimento e convergência europeia de Portugal em vez de ser todo sugado para vampiros, regalias e mordomias de políticos, sem a população ver nada senão aumento de combustíveis, de portagens, de alimentos e tudo o mais. 

Até podia ser que Cavaco, tal como Sócrates ou Costa, tivesse amigos bizarros ou familiares a enriquecerem com estranhos favorecimentos do Estado. Quem não se lembra, repugnado, de Duarte Lima ou de Oliveira e Costa? De Dias Loureiro e de várias outras personagens cavaquistas, tão assustadoras como muitas no PS de Costa e Sócrates? Quem não se lembra do mistério da casa na praia da Coelha a preço de amigo no Algarve, parecido com o mistério da “penthouse” que Costa usufruía na avenida da Liberdade, também a preço de amigo? 

No entanto, como se dizia de Isaltino, nessa altura o PSD até podia roubar, mas fazia. Agora, no PS, nem sequer fazem. Perdeu-se a vergonha e só se usa o poder para benefício pessoal e não de Portugal. A única maneira de esconder essa realidade é insultar quem vier para debater e estimular o PS a não ser tão poucochinho. ■