A inutilidade do Governo no Turismo

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Milhões de turistas britânicos anseiam pelo sol, comida e vinhos portugueses, depois de fechados na sua ilha natal durante um Inverno rigoroso e com os “pubs” encerrados. O Algarve precisa deles mais do que nunca, depois de uma pandemia em que Portugal esteve entre os piores do mundo e nas listas negras europeias quase desde o início, obrigando a hotelaria e restauração a encerrar por demasiado tempo, com muitos estabelecimentos levados ao desespero, à falência e ao desemprego. Também centenas de milhares de emigrantes portugueses no Reino Unido, incluindo muitos originários da região norte de Portugal, há muito que anseiam poderem, finalmente, visitar a família em Portugal, sem proibições nem quarentena obrigatória no regresso. 

Felizmente, agora, a situação epidemiológica finalmente melhorou e as viagens do Reino Unido para Portugal estão autorizadas desde 17 de Maio, com a inclusão do nosso país na lista verde britânica. 

Infelizmente, viajar a partir do Reino Unido torna-se dispendioso e logisticamente complicado devido aos testes exigidos. Agora que a situação sanitária é muito mais segura, porque população britânica adulta já está quase toda vacinada, o governo português, incompetente, incoerente e lento a reagir como sempre, vem exigir aos turistas e emigrantes que realizem previamente o teste mais caro de Covid-19. Isto quando o Verão passado, quando não existiam sequer vacinas, deixava entrar sem teste todos os que vinham do Reino Unido. A Espanha, mais inteligente, já sugeriu que não vai obrigar a testar quem vier de Inglaterra, porque percebeu que a maioria dos que de lá vêm já está vacinada. Assim, mesmo estando na lista laranja britânica, Espanha pode atrair mais turistas. 

Para uma viagem de ida e volta de Portugal são necessários três testes. O primeiro teste tem de ser PCR e é requerido pelo governo Português para se poder entrar em Portugal. Tem de ser realizado no Reino Unido, até 72 horas antes de viajar. Custa, por exemplo, 100 euros nas farmácias “Boots” e é o mais caro de todos. “Cortesia” do governo português para afastar turistas já vacinados. O segundo, também PCR (ou de alta sensibilidade equivalente), é requerido pelo governo britânico para se poder regressar ao Reino Unido e tem de ser efectuado em Portugal, igualmente 72 horas antes de viajar. É mais barato em Portugal, custa cerca de 60 euros no Hospital da Cruz Vermelha, por exemplo. Finalmente, um terceiro teste é feito uma vez de volta ao Reino Unido, nos dois dias seguintes ao regresso, e não tem de ser PCR. Segundo a lista oficial do governo britânico das empresas que o fazem, custa 50 euros. Ambos estes últimos têm de constar no registo electrónico britânico quando do regresso ao Reino Unido. Um tem de estar realizado e outro marcado nas 72 horas antes de se viajar para o Reino Unido. No total são mais de 200 euros por elemento familiar só em testes – e as crianças não escapam a estas regras. Já sem mencionar as horas perdidas em marcações e viagens extras aos centros de testagem, quando os correios não se acomodam aos períodos de viagem. Repetimos, o teste mais caro de todos é o que o Governo português pede – só porque sim – a uma população britânica praticamente já toda vacinada. 

Quer os turistas britânicos, quer os emigrantes portugueses no Reino Unido, depois de tantas despesas e complicações com testes infindáveis, só querem um voo directo e barato para junto do sol e/ou da família. A maioria dos britânicos quer ir directamente para Faro e uma fatia significativa dos emigrantes quer chegar rapidamente  ao Porto, todos pretendendo custos acessíveis. Por estas razões, a 17 de Maio chegaram 17 voos a Faro vindos do Reino Unido. Mas não foram da TAP, nem esta fez qualquer esforço para que Faro recebesse mais voos vindos do Reino Unido. A TAP, tal como o governo que a gere, não fez nada por Faro, nem pelo Porto, nem pelos Açores. Nem por quase nenhum território português. 

Segundo o “site” da ANA, esta semana, em dia de pico (segunda-feira), e com a lista verde britânica já em vigor, a TAP no Porto só tem oito voos, sendo apenas um directo para o Reino Unido (Gatwick). A transportadora nacional prefere gastar o nosso dinheiro a voar do Porto para a Portela (4 voos) e para a Madeira (2 voos). A TAP assegura apenas dois por cento dos voos internacionais do Porto! Em Faro igualmente, só voa dali para a Portela. Os turistas britânicos, se querem vir a Faro ajudar o nosso turismo, que usem as outras companhias, porque a TAP não está para isso! 

Que oferece a TAP aos turistas britânicos e emigrantes? Pagar muito mais caro que as outras companhias e fazer escala na Portela, para demorar mais que as outras companhias a chegar ao destino final.  Ter voos para Faro e Porto directos e com um preço atractivo para conquistar clientes, como fazem as companhias “low cost”, não é com a TAP. Dá muito trabalho; é mais fácil viverem dos nossos impostos. Os políticos que têm a TAP nas mãos não percebem absolutamente nada de fazer voar passageiros, mas são especialistas em fazer voar os nossos impostos. 

É assim na aviação ou em qualquer outra área técnica de que eles tomam conta, da banca à energia. A TAP é um novo BES, com uns estimados 7 mil milhões euros dos contribuintes em dívidas ou já perdidos com governos costisto-socráticos. Pedro Nuno Santos apresta-se já a esbanjar mais outros 4 mil milhões dos nossos impostos.

Com tantos milhares de milhões fáceis a caírem na conta de empresas administradas por políticos, para quê trabalhar e satisfazer clientes? A TAP, que é do governo português, fica quase impávida a ver as companhias áreas privadas estrangeiras a labutarem pelo turismo Algarvio e pelos emigrantes portugueses da região norte. A missão da TAP não parece ser servir os portugueses, mas servir-se dos impostos dos portugueses. Se não fosse assim, porque razão Pedro Nuno Santos e António Costa nomeariam o amigo deles dos negócios da política, Miguel Frasquliho, ex-deputado enquanto empregado do falido BES, presidente do conselho de administração da TAP? Se fosse para fazerem lucrar a aviação para bem dos contribuintes teriam ido buscar para “chairman” alguém que não fosse mais um dependente da política portuguesa, ligado ao partido invisível dos negócios ruinosos misturados com política, tão queridos deste PS. 

O Algarve e o Porto cresceram turisticamente muito devido ao impacto positivo das companhias “low cost”, com voos diretos baratos vindos do Reino Unido e doutros pontos da Europa, enquanto a TAP prefere cobrar muito mais caro mas servir muito pior, pois implica quase sempre uma escala na Portela. É mais simples para a TAP cobrar caro e parar em Lisboa, mas isso não parece interessar ninguém. O mundo mudou e as pessoas querem voos diretos para o destino. A TAP não se preocupa, vive à nossa conta. ■