Contra o ‘lobby’ do Hidrogénio

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Resumimos aqui parte do debate da sociedade civil, incluindo cronistas deste jornal, em que denunciámos o ‘lobby’ do Hidrogénio, com cerca de 10.000 visualizações e perto de outras 200.000 interações digitais com Portugueses (em https://rb.gy/0hrdxk).

Apesar do currículo de topo e independência dos oradores, houve necessidade de fazer este debate tão importante para o futuro e bolso dos portugueses na internet,  uma vez que a comunicação social tradicional, nomeadamente os telejornais das 20 horas da televisão doente (“sick” em Inglês) e estadual só apresentam a perspectiva do ‘lobby’ do Hidrogénio, dependente da política, tendo como comentadores nessas TVs vários ex-políticos membros dos escritórios de advogados que ao longo de décadas têm representado os interesses das companhias de energia em vez de contribuintes e utentes. 

Depois de ouvir as excelentes explicações de co-oradores professores de energia como Clemente Nunes, Joaquim Delgado e Mira Amaral, referi no debate que o negócio do Hidrogénio pode ter paralelos com o negócio do plasma, em que políticos misturados com negócios privados deitavam fora essa parte do sangue de dadores portugueses para, gastando milhões de euros do erário público, irem comprar ao estrangeiro o que deitavam fora cá dentro. Só que aqui está mais em jogo: 7 mil milhões de euros.

Isto porque no debate ficámos a saber, por exemplo, que há uma desactivação acelerada e inesperada da central de carvão de Sines, como um dos pretextos para o negócio da ainda imatura, logo muito cara e ineficiente, energia do Hidrogénio. Ora a central de Sines é comparável em limpeza com a da Alemanha, em Datteln, perto de Dortmund, que está agora a ser inaugurada. Aliás, Portugal é mais papista que o papa na descarbonização. Segundo dados deste ano da Eurostat, já estamos nos 30% de energia vinda das renováveis, enquanto a Alemanha só está ainda nos 16%. 

Qual é a pressa de um país pobre gastar tanto dinheiro na descarbonização logo no início de cada nova tecnologia de energia renovável, precisamente quando essas tecnologias emergentes são mais caras e ineficientes, a uma velocidade e despesa per capita sempre muito maior que a dos países ricos? 

Uma vez que o negócio do plasma foi denunciado pela grande reportagem da TVI, faço o apelo a essa grande e corajosa escola de jornalismo de investigação e única TV de âmbito nacional ainda respeitável para investigarem tanta pressa e despesa no negócio do Hidrogénio. 

Não será precisamente por termos políticos e interesses com tanta imprudência financeira e tanta pressa de gastar os nossos impostos que ficamos cada vez mais pobres e últimos da OCDE? É que o resultado desastroso desta pressa de alimentarmos sem questionarmos tais ‘lobbies’ tem sido que não fica dinheiro quase nenhum dos nossos impostos para nós, portugueses. 

Segundo dados actualizados este mês, somos o último país da OCDE em investimento público – o único abaixo dos 2% do PIB – e segundo dados, também deste mês, da Eurostat, somos o penúltimo povo europeu mais mal pago e com menos poder de paridade de compra, só atrás da Bulgária. Tudo muito poucochinho, tão mau que já põe em causa a sobrevivência do regime. Pudera, com preços de energia dos mais altos da OCDE, em que, nos impostos e factura da energia (via descritivo CIEG), se acumula o custo combinado de falsos negócios misturados com política passados, presentes e futuros, das fósseis, eólicas e Hidrogénio!

Precisamos de investigar a fundo, também, se o negócio do Hidrogénio tem paralelos com os possíveis crimes económicos e ambientais nas barragens feitas para as eólicas e rendas excessivas. Segundo outro co-orador, Ventura Leite, já nas eólicas fomos há 15 anos os primeiros a pagar uma tecnologia nessa altura ainda não desenvolvida, logo caríssima, gastando, deste então, por causa disso, 30 toneladas de ouro por ano em impostos e custos adicionais na factura de electricidade. 

O autor deste artigo representou no debate a perspectiva de conhecedor profundo quer do melhor da verdadeira indústria privada, nomeadamente a norte-europeia e americana, onde tem trabalhado durante 20 anos, quer do pior da actual direcção do PS, que combate desde Sócrates, denunciado as práticas anti-boa gestão internacional no (des)governo de Portugal.  

No debate, no sentido de apresentar boas práticas de gestão internacional, citei o CEO da Siemens Energy, Christian Bruch, que tem como missão a descarbonização de nações e grandes companhias. Bruch afirmou no mês passado que o Hidrogénio é demasiado caro hoje. Por isso avisa os seus clientes ricos (porque prudentes no uso das suas finanças) para não investirem em grandes projectos nessa área, excepto pequenos testes-piloto desta tecnologia ultra-dispendiosa, ainda embrionária e não comprovada, sem infra-estrutura para armazenamento e distribuição. Também Elon Musk, CEO da Tesla, refere que os carros a Hidrogénio não têm infraestrutura para se abastecerem, ao contrário dos competidores que acedem à energia eléctrica em qualquer casa ou outro ponto da rede mundial de electricidade já existente, daí o cada vez maior número de carros e camiões eléctricos.  

Expliquei que, em contraste com a opinião desses gigantes internacionais das renováveis, para contenção nas despesas do Hidrogénio, temos em Portugal a aconselhar enormíssimos gastos públicos em Hidrogénio (com o nosso dinheiro) os mesmos de sempre do ‘lobby’ das companhias de energia e seus escritórios de advogados e professores consultores contratados, como assistimos numa sessão de “esclarecimento” feita pela EDP-GALP-REN-PLMJ no youtube. Ao contrário destes interesses, que nas TVs que monopolizam não autorizam contraditório, divulgamos aqui o link da última conferência deles, intitulada “Hidrogénio Verde / Economia do Hidrogénio” em https://rb.gy/fgj0t4.

Por coincidência (?), todos estes interesses estão alinhados com a posição de políticos que já vêm do tempo de Sócrates ou Manuel Pinho, como João Galamba ou Matos Fernandes, a defender o H2 ao lado de Eduardo Cabrita e Mariana Vieira da Silva na recente conferência de imprensa do governo.

Outros co-oradores, como Sofia Afonso Ferreira, referiram também o possível novo escândalo político. Tal escândalo, como enfatizado pela moderadora Margarida Ferreirinha, vem sempre dos mesmos. O co-orador Paulo Morais confirmou que, de facto, as companhias portuguesas de energia estão recheadas de políticos, dando exemplos como Catroga ou Amado. 

Mais debates como estes são cruciais. Agradecemos aos organizadores de conteúdo, Carlos Magalhães, e técnico, Domingos Valente, por voluntária e patrioticamente terem reunido tantos e atingindo tanta audiência num debate tão crucial para Portugal como este foi. Agradecemos também o patriotismo dos muitos leitores do Jornal O DIABO que assistiram ao debate, que tinha sido divulgado aqui também.   

Apelamos também ao líder da oposição, Rui Rio, para que questione este governo e esta direcção do PS sobre o interesse nacional de um negócio potencialmente desastroso e ainda mais devastador da economia e vidas dos portugueses do que foram quer os das energias eólicas quer do BES, BPN e PPPs rodoviárias. Foi a opinião geral dos oradores que apelar ao presidente da república, Marcelo, poucos resultados pode dar, mas o seu silêncio pode ser revelador. É essencial denunciar, desmascarar e ridicularizar ‘lobbies’ supostamente “amigos” do ambiente e da economia, mas na realidade destrutivos (exemplo: crime ambiental da barragem do Baixo Sabor), que já vêm do tempo de José Sócrates e podem ter as mesmas ou piores consequências para a economia e ambiente. 

Terminamos apelando mais uma vez a que os Jornalistas que ainda restam com coragem e espírito de missão nos grandes jornais e TVs ponham os olhos nesta iniciativa da sociedade civil que deu o primeiro passo com este debate e já antes com um manifesto subscrito por vários oradores no debate. 

Por favor, Jornalistas sérios, avancem também numa investigação de interesse nacional que a televisão do Estado, paga por nós mas contra nós e sem nos representar, não quer fazer porque é inútil para os portugueses, só para os interesses e ‘lobbies’, merecendo pouco ou nada dos quase 200 milhões que lhes pagamos na factura da eletricidade. ■