Corrida à Portuguesa dos comunistas e bloquistas

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Há quatro partidos que foram e continuam a ser toureados pelo PS com uma mestria ímpar. Mete dó ver touros tão mansos lidados por cavaleiro tão hábil em propaganda política. Como tiveram comportamento longe do extraordinário e foram facilmente estocados na corrida das legislativas, o PS, após a corrida, não os deixou descansar nem beber água e está já a tratar de enviar dois deles para o matadouro, o mais rapidamente possível. Antes do final da nova legislatura o PCP, que tem 100 anos, e o BE, que tem quase 50 (através dos seus partidos fundadores), podem ser já carne no talho histórico da política portuguesa. De repente, a mando do PS a quem já não são úteis, nada lhes é perdoado e tudo é denunciado. E isto quando antes, ainda o ano passado, eram defendidos por toda a comunicação social nas mãos do PS. Podiam até rir à gargalhada e com espaço de intervenção na “SIC” e no “Expresso” quando gozavam das mortes dos ucranianos às mãos dos russos, como Louçã repugnantemente fez. 

Pode parecer surpreendente para quem conhece o nosso pensamento anti-socialista, socrático-costista-pedro nunista, mas há uma figura da actual máquina socialista que admiramos genuinamente: Luís Paixão Martins. É o fantástico génio do “marketing” e comunicação política, confessadamente por detrás da campanha socialista nas legislativas de 2022 e, suspeitamos nós, das continuadas estocadas impiedosas ao PCP e BE. Aplaudimos de pé este grande profissional a quem reconhecemos as enormíssimas capacidades técnicas na sua área, indubitavelmente ao nível dos melhores do mundo na gestão estratégica de campanhas eleitorais. Um maestro que muitos no Capitólio americano invejariam. 

A vitória de Paixão Martins foi, como o filósofo Nietzsche pedia em Zaratustra, “poupem-me das pequenas vitórias, mas dêem-me uma grande vitória (…) que faça até o vencido vibrar de tão impressionado que fica poupando-lhe mais humilhação”. Ou seja, a vitória é tão avassaladora que até os derrotados ficam impressionados. 

O PS fez dos quatro toiros que lidou e a quem roubou mais eleitorado, incluindo os dois touros supostamente mais radicais de esquerda selvagens, simples cabrestos ou bois mansos. Mandemos a banda tocar enquanto o PS dá a volta e mais volta à arena, aplaudido de pé pelos antigos eleitores desses partidos que agora votaram PS. Ironicamente, um desses quatro partidos até era contra touradas e queria proibir tudo e mais alguma coisa, enquanto lucrava com o que dizia querer proibir para os outros portugueses. Pessoalmente, apesar de acharmos a metáfora apropriada, não apreciamos touradas, mas ainda menos apreciamos todos aqueles que com todas as liberdades querem acabar com ela, ainda por cima de forma hipócrita. O PAN foi reduzido à sua insignificância e trucidado por detrás na praça da comunicação social por um PS que, pela frente, mentia ao mostrar que o amava muito. A líder do PAN ridiculamente acreditava, fazia-se difícil e namorava, arrogante, também outro partido, inchada de ego soprado propositadamente pelo PS, sem qualquer consciência que a traída era ela. Afinal, em vez de haver outro, não havia nada!

No entanto, mais atrofiados ainda foram o PCP e BE. Acreditamos, pelo que observamos nas suas publicações, que o genial Paixão Martins está a preparar-se muito bem para a nova maioria absoluta do PS em 2026. Logo nesta última campanha eleitoral a descartar o PCP e BE a partir do momento em que deixaram de ter utilidade para o poder do PS, denegrindo-os sobre pretexto de terem sido eles a boicotar o Orçamento. Agora, sobre novo pretexto, a Rússia, de repente, a mesma comunicação social controlada pelo socialismo que durante os últimos seis anos defendeu o PCP e BE – quando estes eram idiotas úteis para facilitarem negócios socialistas – não pára de enviar novilheiros e matadores para desferirem estocadas imparáveis nos touros bloquistas e comunistas. Definitivamente, nesta praça de toiros metafórica toda a comunicação social lida impiedosamente contra tais toiros da esquerda-radical, chamando-lhes finalmente o que eles sempre foram: radicais desavergonhados. Onde antes só víamos o corajoso Alberto Goncalves do “Observador” a denunciar genuinamente o desprezo, já antigo, de tais partidos pelo sofrimento da população da Ucrânia nas mãos de russos, agora, sob a batuta directa ou indirecta, do “marketing” socialista, até já passaram a criticá-los comentadores nada genuínos e muito calculistas, como Pedro Marques Lopes. Comentadores sempre com olho bem aberto para ajudar ao PS. Faziam poemas de amor sobre o BE e PCP quando eles eram úteis aos negócios ruinosos misturados com política socialistas. 

Na campanha, o PS acusou o PSD de muitas inverdades, sem Rio sequer se tentar defender. Foi como estocar um cabresto ou boi manso. Pensamos que até mesmo o eficientíssimo e clinicamente cirúrgico Paixão Martins terá tido dó de estocar criatura tão dócil; terá desejado, enfadado, enfrentar alguém mais bravo e à sua altura. No entanto, acreditamos que Martins só deu indicações a Costa para sacar da espada na praça, ao mesmo tempo que com a muleta armada escondia que não pedia maioria absoluta, por saber bem que Rio não reagiria e cairia na armadilha de acreditar que poderia, sendo tão frágil, vencer alguma coisa. Rio acreditava, ingenuamente, que a arena impiedosa desta tourada onde o PS deu tudo era apenas um concurso de “miss” Simpatia. Rio durante seis anos levou uma existência acomodada e amedrontada perante tudo o que o PS lhe foi fazendo, e principalmente a Portugal, desde 2015. Rio não teve energia nem esteve interessado em ser oposição. Rui Rio saiu derrotado em duas legislativas seguidas, incapaz das duas vitórias de Passos Coelho. Rio manso ao renegar Passos, ajudou o bravo PS.  

Em conclusão, PAN, BE, PCP e PSD foram todos lidados com maestria na sua hipocrisia e ego. O primeiro partido lucra com estufas que semanticamente diz proibir, revelando durante a campanha que, afinal, queria era negócios com dinheiros europeus, fosse à esquerda ou direita tanto fazia, os animais e o ambiente eram só conversa. Os dois partidos a seguir defendem a opressão e ditadura da Rússia, mas ganham dinheiro com a democracia portuguesa há décadas. Finalmente, o quarto partido, ainda com Rio a agarrar-se como um fantasma ao poder, tenta agora lucrar migalhas com a regionalização, sonhando ainda que o PS lhes vai dar a mão, apesar de sempre por este lidado e ludibriado, ficando sem nada. Já antes, nas legislativas, no PSD sonhavam que ia partilhar com o PS poder e contratos chorudos do governo para escritórios de advogados dos seus deputados ou familiares de governantes. Ora o PS come tudo. 

Discordamos dos fins – e lamentamos a gravíssima consequência de mais quatro anos de miséria socialista para os portugueses – mas, realmente, admiramos os meios da máquina eleitoral que o PS empregou nas legislativas e continua a usar após estas para ferir dolorosamente, talvez mortalmente, o PSD, PCP, BE, PAN. Todos estes quatro partidos foram trucidados pelo socialismo. 

Poderá haver ainda mais partidos assim no futuro, sobretudo se alguns não se cuidarem de se afastarem para bem longe da muleta e estoque do PS. A probabilidade de Paixão Martins conseguir nova maioria absoluta para o PS em 2026 – ou de qualquer crise antes disso –, como por exemplo a ida de Costa para a Europa, continuará muito alta enquanto não tiver oposição “tauromáquica” à altura do seu génio. ■