Merkel e o seu único lacaio, Costa

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O autor desta crónica escreve de Creta, para onde viajou de Londres, pois o governo grego, tal como o espanhol, o italiano ou o maltês, não rastejou perante a Alemanha, não negou a ciência, nem traiu o seu sector do turismo, como o governo português foi o único a fazer, impedindo os emigrantes portugueses e os turistas britânicos de gastarem dinheiro em Portugal neste Verão. Isto sem porem em causa a saúde pública.

Costa foi o único primeiro-ministro do sul da Europa a negar a evidência científica do sucesso da vacinação e da testagem, pondo-se de joelhos perante a alemã Angela Merkel, que lhe exigiu destruir ainda mais o nosso turismo através de uma quarentena cientificamente injustificável de 14 dias, imposta aos residentes britânicos. Costa há poucas semanas também fez genuflexão perante outra alemã, Ursula Van Der Leyen, que veio dar ajuda económica ao nosso indigente primeiro-ministro. Perante a Alemanha todo o nosso governo verga e fica, sempre, com as pernas a tremer.  

Na nova era pós-vacinação, eficaz mesmo contra a nova variante delta, a entrada aos britânicos e emigrantes mais novos ainda não duplamente vacinados, desde que testados, não deveria exigir uma quarentena absurdamente longa de 14 dias. Os italianos só pedem cinco. Os gregos, espanhóis, e malteses não pedem um único dia de quarentena a quem vier da Grã-Bretanha e estiver duplamente vacinado ou tenha testado negativo. Todos os governos europeus de sul acreditam na ciência, nas vacinas, nos testes e no futuro do seu turismo, excepto o governo de Costa.  

Assim, todos os primeiros-ministros da Europa do sul, excepto Costa, ignoraram os delírios de canto de cisne de Merkel contra a ciência, contra as vacinas, contra os testes, contra a liberdade, contra as economias do sul e contra as boas relações entre o Reino Unido e Europa. Mesmo para residentes britânicos duplamente vacinados e duplamente testados negativo, Merkel, por razões inexplicáveis em termos científicos, exige 14 dias de quarentena a quem vier da Grã-Bretanha para a Alemanha. Segundo o cronista do “Sunday Times”, Ben Clatworthy, Merkel exigiu isto por ressabiamento contra o Brexit e pelo sucesso da vacinação britânica com a “AstraZeneca”. Merkel queria que os outros países europeus tomassem a mesma “medida estúpida”, nas palavras do CEO da Ryanair, Michael O’Leary. Na Europa do sul, só Costa foi suficientemente “estúpido” para obedecer. Essa decisão “estúpida” começa a parecer ter muito pouco ou nada a ver com ciência e muito com totalitarismo, espírito bélico e de vingança contra o Reino Unido. Ou controlo da população alemã. 

Merkel cresceu na antiga RDA, onde os políticos ordenavam aos soldados para atirarem a matar sobre quem quisesse ser livre e saltar o muro de Berlim. Diziam esses governantes que era para bem da população, pois o alemão médio não sabia o que era bom para si próprio e caía na tentação do “consumismo capitalista.” No entanto, supostamente, os políticos alemães de leste comunistas totalitários de então sabiam. Hipocritamente, eles viajavam pelo mundo ocidental e faziam compras.

Merkel, hipócrita confirmada e possível inimiga da liberdade, parece ter aprendido bem a lição. Abusando do poder sem dar exemplo, essa idosa de risco com problemas de saúde tem viajado frequentemente – juntamente com o seu esposo, igualmente idoso – a Inglaterra, sem qualquer quarentena. No entanto, acha que um qualquer outro casal de alemães, mais jovens e mais saudáveis, por exemplo na casa dos 30 anos, duplamente vacinados e/ou duplamente testados, não sabem o que fazem se quiserem ir passar férias a Portugal ou ao Reino Unido, onde a população em risco já está vacinada, logo protegida dos turistas. Os alemães, britânicos e portugueses anónimos são, na prática, proibidos de viajar entre estes três países, enquanto Merkel sorri em locais turísticos da Inglaterra e Portugal. 

Costa cedeu nesta pirraça anticientífica da Alemanha contra o Reino Unido. Se os testes Covid-19 servem para ultrapassar cercas sanitárias internas também deveriam servir para cercas externas. Além disso os grupos etários de risco por Covid-19, quer em Portugal, quer no Reino Unido, já foram vacinados. 

Costa, na era pós-vacinação, não consegue dizer à Alemanha assertivamente – como os outros europeus do sul fizeram – que enquanto os alemães vivem de exportar electrodomésticos e carros, nós vivemos de importar turistas britânicos. Mesmo depois de Costa, sem espinha, se dobrar perante a Alemanha, como nenhum outro líder, Merkel desprezou-o e decretou que quem vier de Portugal para a Alemanha, tal como quem vai do Reino Unido para a Alemanha, mesmo que esteja duplamente vacinado e tenha testado duplamente negativo para o Covid-19, antes de entrar, e à entrada no país, deve sujeitar-se obrigatoriamente uma quarentena de 14 dias. 

Matthew Syed, cronista do “Sunday Times”, celebra a ciência bem-sucedida na ajuda à humanidade, representada no sucesso do desenvolvimento das eficazes vacinas contra o Covid-19. No entanto, avisa-nos para os perigos das medidas supostamente científicas vindas daqueles cientistas e políticos que, tendo apreciado as luzes da ribalta que a pandemia lhes proporcionou quando não havia vacinas, querendo manter o seu poder sobre os outros, agora fecham os olhos perante a evidência do sucesso da vacinação. Esses negacionistas das vacinas continuam a insistir paternalmente em medidas tirânicas, como quarentenas desnecessárias ou máscaras nas ruas. Da mesma maneira ridiculamente paternalista, a Organização Mundial da Saúde (OMS) aconselhou recentemente todas as mulheres em idades reprodutiva, mas não grávidas, a nunca beberem vinho. Isto como se a OMS, que nunca aconselhou a China a fechar as portas do laboratório de Wuhan, para não saírem de lá vírus, fosse a única a saber o que torna as pessoas felizes e seguras. Relembremos que Peter Daszak, por exemplo, foi dos primeiros representantes da OMS em Wuhan, que a 18 de Janeiro de 2020, no princípio da pandemia, fingia que nada se passava em Wuhan, só nos relatando em directo que o céu lá era “lindo”, sem então nos avisar para os reais perigos mortíferos do SARS-Cov-2 antes da existência da vacinação. Ora este senhor, descobriu-se mais tarde, tem uma relação com uma virologista de Wuhan, Shi Zhengi, e chefia uma organização que, desde 2014, já financiou em quase um milhão de dólares o laboratório virológico de Wuhan. 

Por toda a Europa, e não só no Reino Unido, a variante delta do SARS-Cov-2 tem ganho predominância por ser mais contagiante. Felizmente as vacinas tem eficácia e efectividade também contra esta variante. O número de infecções “per capita” tem aumentado sobretudo em pessoas jovens, ainda não vacinadas e com risco muito reduzido de mortalidade ou morbilidade por Covid-19. Aliás, conselheiros científicos do governo britânico, como o Professor Robert Dingwall, admitem que até pode ser melhor para as crianças e adolescentes – para eles e para a sociedade em geral – serem infectados do que vacinados, uma vez que correm pouco ou nenhum perigo de vida, enquanto os adultos com maior risco e idade já estão vacinados. 

As vacinas são eficazes mesmo contra a nova variante delta do SARS-Cov-2. Assim o primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, tem estado a explicar à chanceler alemã, Angela Merkel, que, em vez de proibir os residentes britânicos de viajarem para a Europa, o que ela tem de fazer é aumentar a eficácia e o ritmo da vacinação. Só Costa não quer perceber isto e prefere entreter os delírios de Merkel, à espera que caia mais esmola alemã. ■