Qual deles é o menos socialista e democrata?

0
1020

Trump, sobre uma ex-candidata presidencial loira e de olhos azuis, Elisabeth Warren, que se queria fazer passar falsamente por índia, em vez de branca, para obter ganhos políticos, afirmou: “Eu sou mais índio do que ela e não sou nada índio”. Igualmente, Trump poderia dizer sobre António Costa, “Eu sou mais socialista do que Costa e não sou nada socialista”!

Costa, vendido pela comunicação social tradicional como “socialista” e “democrata” exemplar, consegue bater Donald Trump e Boris Johnson na antidemocracia. Estes podem insultar e ridicularizar os oponentes dentro do partido republicano e conser- vador, respectivamente, mas não os amor- daçam nem impedem de vir à convenção do partido, como Costa fez recentemente em Coimbra na conferência nacional do PS. Os dois líderes anglo-saxónicos, ape- sar de serem assumidamente de direita, têm também práticas económicas mais à esquerda e menos obcecadas com ajudar grandes interesses do que as de Costa, esse suposto “socialista”.

Facto número 1, raramente ou nunca descrito na comunicação social tradicional portuguesa:
Para estimular a economia e ajudar a classe média afectada pela pandemia, Do- nald Trump enviou um cheque de 1.000 euros (1.200 dólares) a cada cidadão ou re- sidente americano pagador de impostos nos EUA, para cada um gastar como quisesse. Eu sei porque sou cidadão americano e recebi um desses cheques, mesmo vivendo fora dos EUA. Ao todo, o governo norte-americano já gastou cerca de 225 mil milhões de eu- ros nestes cheques, injetados desta forma também indiretamente nos mais variados tipos de comércios e indústrias.

Facto número 2, também raramente mencionado em Portugal:
No mesmo sentido de ajudar a economia e a classe média, Boris Johnson, durante o mês inteiro de Agosto, pagou metade do preço das refeições em restaurantes, cafés e pastelarias aos residentes e cidadãos do Reino Unido para comerem e beberem o que quisessem, desde que fosse fora de casa e não fosse álcool. Eu sei porque sou resi-

dente na Inglaterra e jantei fora várias vezes por menos dinheiro do que indo ao super- mercado e cozinhando. Ao todo, o governo britânico pagou metade de 64 milhões de refeições aos seus cidadãos e injectou assim indirectamente cerca de 400 milhões de eu- ros na indústria da restauração, beneficiando principalmente os pequenos e médios esta- belecimentos para classe média que cobram menos de 22 euros por refeição, o limite máximo de cada refeição subsidiada em 50%, valor bastante abaixo dos preços médios de refeição nos restaurantes dos grandes mag- natas e interesses financeiros à volta da City de Londres. O processo foi muito simples: a cada contribuinte britânico e famílias bastava ir ao restaurante e pagar metade do preço habitual, depois o governo pagava, rápido, o resto directamente ao restaurante.

*

Pelo contrário, durante esta pandemia, Antonio Costa, supostamente um “socia- lista”, esteve muito mais interessado em ajudar grandes magnatas e interesses do que a classe média, quanto mais os pobres. Eu sei porque nasci em Lisboa e também sou cidadão português. Mas enquanto de Trump e Boris recebi ajudas concretas num período difícil em troca dos impostos que estou sempre a pagar, Costa neste período difícil para todos nem um café ou pastel de Belém (só me quer impingir um para presidente) me pagou, quanto mais enviar- -me a mim ou a milhões de portugueses um cheque de 1000 euros! A classe média não teve ajuda nenhuma significativa e os idosos pobres definhavam em Lares enquanto o governo de Costa ajudava magnatas do BES e do novo banco com quase mais um milhar de milhões de euros em ajudas e anunciava mais 7 mil milhões para a Galp, REN e EDP, desta vez para rendas do hidrogénio.

Do governo dos jotas partidários de Cos- ta, os portugueses em geral só recebemos mais notas de liquidação para pagar impos-

tos, mesmo durante a pandemia. Notas, aliás, sem qualquer prorrogação especial devido à pandemia, ao contrário dos gover- nos britânico e americano, que não estão a exigir nem a multar a classe média por não pagar os impostos a tempo, por entender que este é um período difícil para os que trabalham por conta de outrem ou para os que têm o seu próprio negócio.

A conclusão é que, na publicidade, paga com milhões de euros dos nossos impos- tos aos canais de TV e jornais tradicionais, vendem-nos a felicidade de ter em António Costa um primeiro-ministro de “esquerda”, “socialista” e “democrata” que “acabou” com a austeridade. Anunciam-nos também que os cidadãos dos países anglo-saxónicos são uns infelizes empobrecidos por uma direita nada democrática a desviar tudo para os grandes interesses.

Na realidade, Costa, supostamente um “socialista”, nas práticas económicas reais de ajudar magnatas consegue ser ainda mais de direita do que até Trump e Boris. O presidente americano e o primeiro-ministro inglês podem ajudar gente rica, como Costa faz na energia ou na aviação, mas duran- te a pandemia também implementaram estes programas de milhares de milhões de euros de ajuda muito significativa para a classe média. Em termos democráticos, também não são, ao contrário de Costa, “ga- jos cobardes” com medo de fazer primárias depois de ganharem o poder. Sujeitam-se a discussão interna nos seus partidos e a votos em primárias. Estes são factos de que os leitores, claro, nunca serão informados nos jornais e canais pagos principescamente para vender Costa e o seu governo de jotas partidários. Que se saiba, Trump e Boris também não usam dinheiro do Estado, aos milhares de milhões, para aplicar na CNN ou no New York Times, para estes começa- rem a elogiá-los. Ainda não aprenderam com o ditador Costa.

Costa, esse retórico “socialista” e “de- mocrata”, gosta mesmo é de ajudar os seus ricos amigos e não ter oposição interna nenhuma. Apressou-se foi a dar ainda mais milhões de euros dos nossos impostos à TAP do seu grande amigo Lacerda de Machado no conselho de administração. Isto numa altura em que ninguém, a não ser ele, dá nada pelas companhias áreas. Também não descansou enquanto em Ju- lho não anunciou e aprovou 7 milhares de milhões para os seus amigos e interesses do costume na GALP, REN, e EDP, desta vez sob o pretexto do hidrogénio, uma fonte de energia arriscada e ainda não comprovada, mas já com lucro garantido por nós para os amigos de Costa. Costa, durante a pandemia, até nomeou logo para seu chefe de gabinete um senhor socrático de grandes negócios, Vitor Escária, que recebeu prendas da GALP para si e para a esposa enquanto governante e cujo nome aparece mencionado mais de 80 vezes no Processo Marquês. É a grandes negócios e grandes interesses que Costa, esse suposto socialista, gosta de ajudar e dar uma mão cheia de milhares de milhão.

Sem conflitos de interesses nem paga- mentos do governo para elogios, como na comunicação social tradicional, apenas fac- tos, esta é a realidade sobre um suposto “socialista” “democrata” que “acabou” com a “austeridade” mesmo reduzindo o poder de compra e aumentando e os impostos e os sacrifícios para a classe média, enquanto vai favorecendo os grandes interesses de forma descarada e nunca debatida ou questionada.

Se preferem publicidade em vez de rea- lidade, já sabem: por favor, liguem os canais e leiam os jornais que recebem milhões de euros dos nossos impostos para propagan- dear Costa com adjectivos e notícias ainda mais falsas do que as de Trump ou Boris nos órgãos de comunicação social mais facciosos americanos e britânicos. ■