Carta a Joacine

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Portugal é, claramente, o país menos racista da Europa, mas há quem continue a querer convencer-nos de que, ao contrário, é um dos países mais racistas do mundo. O dito partido “Livre”, numa das mais acrobáticas piruetas políticas dos últimos anos, passou do “meio da esquerda” para a esquerda da extrema-esquerda. 

Será porventura excessivo esperar que os nossos deputados eleitos amem Portugal. Mas, se não o amam, como é manifestamente o caso, exigível será que pelo menos o conheçam. A nova líder de facto do dito partido “Livre” não ama Portugal nem sequer o conhece minimamente.

Por isso, projecta sobre Portugal uma série de fantasmas transplantados de outros contextos culturais, em sintonia com, por exemplo, aqueles que no Brasil ainda hoje pensam que o grande azar histórico brasileiro foi ter sido colonizado por Portugal e não por outras potências europeias. Até os compreendemos: se assim fosse, poderíamos ter tido no Brasil um imenso regime de “Apartheid”; se assim fosse, o novo discurso do dito partido “Livre” deixaria de ser, como é, simplesmente lunático.

Para dar algum fundamento ao seu autoproclamado discurso “anti-racista radical”, a nova líder de facto do dito partido “Livre” deve rezar todos os dias para que Portugal se torne um país realmente racista. Lamentamos desiludi-la. Não que em Portugal não exista gente racista. Mas são e serão sempre uma minoria residual, sem expressão relevante, uma imitação longínqua e forçada do “supremacismo branco” norte-europeu e norte-americano.

Num país com a nossa história, esse discurso será sempre tão forçado quanto falso. Temos uma cultura demasiado misturada e um sangue demasiado mestiçado para ser possível, no século XXI, defender, sem cair no ridículo, uma qualquer pureza racial e/ou cultural. Quem, à direita, o defende, assume uma posição tão ridícula quanto a nova líder de facto do dito partido “Livre”. Por mais que mutuamente se apoiem (ainda que publicamente se insultem), estão, ambos, condenados ao fracasso. Caríssima Joacine: Portugal é muito mais e muito melhor do que tu imaginas… ■

Agenda MIL: 10 de Dezembro, na Universidade Católica Portuguesa, a partir das 14h, Seminário “A Estética no Pensamento Português” | 12 de Dezembro, na Faculdade de Letras da Universidade do Porto, a partir das 15h, Ciclo de Conferências “100 anos da Faculdade de Letras: Do Magistério à Diáspora”. Para mais informações: novaaguia.blogspot.com