Um barco à deriva em águas turvas

Como sempre acontece quando se chega ao final de mais um ano civil, faz-se (ou tenta-se fazer) um balanço do que aconteceu durante o mesmo, nomeadamente do que foi mais relevante, e um pouco de futurologia para o ano seguinte – o que gostaríamos que acontecesse e o que esperamos não venha a acontecer. Neste final de 2019 e proximidade de 2020, não fugiremos à regra. Infelizmente, em termos políticos e sociais, se o ano que agora finda não merece grandes elogios, o que se avizinha, sem pessimismos, mas com grande realismo, não se vislumbra que seja muito melhor. Nem muito, nem pouco; que seja simplesmente melhor. Antes pelo contrário.

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2019 foi ano de eleições e fechou o ciclo legislativo da tomada do poder pelo PS em 2015 – onde foi derrotado – com o conluio e inegável apoio do PCP e do BE que, desavergonhadamente, ora mostravam uma face, ora mostravam a outra, mas sempre de forma tímida – a face contrária – de modo a não perturbar a caminhada da denominada “geringonça”. Para a extrema-esquerda vale tudo desde que o objectivo seja retirar à denominada “direita” o privilégio de governar, de salvar o País da ruína, de, com defeitos e virtudes, tentar colocar Portugal num rumo que definitivamente o encaminhe para a recuperação económica e o recoloque no lugar europeu que deveria ocupar e não na vergonhosa e escandalosa cauda da Europa para onde os sucessivos desgovernos socialistas o têm conduzido.

Paralelamente, a “geringonça” usufruiu de uma quase total ineficácia e falta de coragem da oposição, que parecia ter medo de lembrar aos portugueses, entre outras coisas, ser o Partido Socialista o responsável pela bancarrota do país e pela vinda da Troika, assim como pela assinatura do memorando que nos obrigou a apertar o cinto, sendo à época António Costa Ministro e Vice-Primeiro-Ministro do Governo de Sócrates.

Se efectivamente a nível nacional o PS se pode vangloriar de ter ganho as duas eleições – Europeias e Legislativas –, já a nível Regional (Madeira), apesar de todas as tentativas de derrubar o PSD-M, apoiadas em boicotes, promessas, incumprimento de acordos, etc., os socialistas voltaram a sofrer três derrotas copiosas, não tanto em números mas sim em resultados práticos. António Costa, cheio de si, tratou de gritar aos quatro ventos a proclamação da intenção e certeza da conquista do baluarte madeirense. Como sempre, enganou-se. 

É que António Costa, indiscutivelmente um ás da política, que consegue transformar derrotas em vitórias, que se desdiz com a maior desfaçatez, sem pingo de vergonha, quando toca a qualquer coisa ou assunto deveras realista, espalha-se, porque nesse campo a competência não abunda e só a “esperteza” política não é suficiente para alterar a realidade. 

Aqui pelo Continente, território bem mais vasto, onde as preocupações da grande maioria das pessoas se concentram em futilidades e onde a Comunicação Social tem um peso enorme – e está sempre do lado da esquerda – é bem mais fácil enganar o pagode, como os resultados comprovam. Na Madeira não é assim. As pessoas vivem com intensidade os seus problemas e reconhecem quem tudo faz para os resolver.

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