Declaração (pessoal) de apoio a Marcelo Rebelo de Sousa

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À direita, temos amigos que não irão apoiar Marcelo Rebelo de Sousa porque ele tem estado, no seu primeiro mandato, “demasiado à esquerda”. À esquerda, amigos temos que também não o irão apoiar porque ele é “demasiado de direita”. Compreendendo as razões de ambos, apoiaremos, sem preconceitos ideológicos (nem “snobismos” políticos – apesar de, em geral, estarmos quase sempre do lado da minoria), a (mais do que previsível) recandidatura de Marcelo Rebelo de Sousa à Presidência da República.

Fá-lo-emos, sobretudo, por uma razão: Marcelo Rebelo de Sousa foi, tanto quanto a nossa memória histórica nos permite sustentar, o Presidente da República mais pró-lusófono do Portugal pós-25 de Abril. Facto que, para quem, como nós, considera a Lusofonia o horizonte mais fundamental para a preservação e difusão da nossa Língua e Cultura à escala global, não poderá ser, decerto, irrelevante.

Não conhecemos o suficiente Marcelo Rebelo de Sousa para sabermos porque assim é. Provavelmente, a sua trajectória familiar explicará, em grande medida, esse facto – desde logo, a sua ascendência directa. Não é hoje politicamente correcto dizê-lo, mas Baltazar Rebelo de Sousa, seu pai, foi um bom exemplo de alguém que acreditou, de forma genuína, num Portugal trans-continental, multi-cultural e multi-racial, mesmo quando esse horizonte parecia já por inteiro impossível. E que pugnou por isso – em particular, em Moçambique, onde, como se sabe, chegou a ser Governador-Geral.

Hoje, o paradigma só pode ser outro – realmente pós-colonial –, como muito bem sabe Marcelo Rebelo de Sousa, que tem sempre o genuíno cuidado de não pôr de modo algum em causa a soberania desses países que entretanto se tornaram independentes. Mas isso não o impede de reiteradamente afirmar Moçambique como a sua “segunda Pátria” e de, sempre que tal vem a propósito, proclamar a importância que reconhece à Lusofonia, muitas vezes perante a indiferença de (quase) toda a classe política, (quase) sempre mais entretida em visões mais “conjunturais” do que “estruturais” do país.

Sabemos que a conjuntura que atravessamos não é a mais favorável para a Lusofonia – usando uma metáfora marítima, tão cara a Marcelo Rebelo de Sousa, vivemos hoje, claramente, no que respeita à Lusofonia, uma fase de “maré baixa”. Mas daí a importância acrescida de termos na Presidência da República alguém que compreenda a importância estrutural das relações entre os países – e, sobretudo, entre os povos – de língua portuguesa. Não se trata apenas de respeitar o nosso passado – o que já não seria pouco (em particular numa época em que o respeito pelo nosso passado atravessa igualmente uma fase de “maré baixa”). Trata-se, sobretudo, como dissemos, de promover a preservação e difusão da nossa Língua e Cultura à escala global. Em suma, trata-se de garantir o futuro histórico de Portugal. ■

Agenda MIL – 11 de Setembro, 19h, na Feira do Livro de Lisboa (Auditório Nascente): Apresentação da Revista NOVA ÁGUIA nº 25 e dos mais recentes títulos da Colecção de Livros NOVA ÁGUIA: “Vida Conversável”, de Agostinho da Silva, e “Tábula Rasa II: A Literatura e o Sagrado”.