Diálogo de Gustavo de Fraga com Ortega y Gasset (I)

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Quase um século depois a sua primeira publicação, A Rebelião das Massas, de Ortega y Gasset permanece como uma das obras mais icónicas para o pensar do nosso tempo. Por isso, tem permanecido como uma obra amplamente citada, como uma fonte sempre renovada para uma reflexão mais aprofundada sobre os dias de hoje. Mesmo em Portugal, em que o diálogo filosófico e cultural com Espanha continua, por conhecidas razões histórico-políticas, a ser bem menor do que seria desejável, isso tem acontecido – e, por isso, a obra de Ortega y Gasset, em particular a sua A Rebelião das Massas, foi, ao longo de todas estas décadas, objecto das mais diversas leituras.

Gustavo de Fraga é, a esse respeito, um caso paradigmático – nomeadamente na sua obra Fidelidade e Alienação (Ponta Delgada, Instituto Universitário dos Açores, 1977), em que, a respeito da “crise” existencial que vivenciamos (e o conceito de “crise” é, como se sabe, um dos conceitos-chave da obra), Ortega y Gasset aparece, naturalmente, como um seu interlocutor, amplamente citado – apenas um exemplo: “O problema da crise terá de pôr-se em relação com a mudança de alguma coisa no nosso mundo ou com a mudança do que é o nosso mundo. Normal, como nota Ortega (…), é que de uma geração para outra se mude um tanto a figura do mundo, mantendo-se no entanto a sua estrutura geral” (p. 106).

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