Nova Águia nº 27

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A NOVA ÁGUIA levantou o seu voo já na fase final da vida de António Telmo, mas ainda a tempo de podermos contar com a sua sempre luminosa colaboração. Isso aconteceu logo no primeiro número da Revista, com o texto “À tarde e a boas horas” e com a pré-publicação de um excerto da sua obra A Verdade do Amor (Zéfiro, 2008), um dos primeiros títulos da Colecção NOVA ÁGUIA. Nos números seguintes, essa colaboração manteve-se: “Coincidências” (nº 2): “Comentário a uma Carta de Natália a Leonardo” (nº 3); “O passeio que ficou por contar” (nº 4); “Acordo e Desacordo na Língua de Portugal” (nº 5). Em Agosto de 2010, António Telmo partiu, mas houve ainda tempo para, no sexto número da Revista, no segundo semestre desse ano, lhe dedicar uma secção em sua expressa Homenagem, ainda com um texto do próprio: “O Estilo da Renascença Portuguesa”.

Uma década após a sua partida, pareceu-nos o tempo próprio para darmos, de novo, destaque a António Telmo. Por isso, inicia-se este número da NOVA ÁGUIA com mais de uma dezena de ensaios sobre ele – seguidos de outros tantos sobre outra figura singular da cultura portuguesa que nos deixou muito recentemente: Eduardo Lourenço. Não tendo colaborado tanto na NOVA ÁGUIA quanto António Telmo, a sua presença não deixou de ser marcante. Assim, no nº 15, em que assinalámos o centenário da Revista “Orpheu”, foi dele o ensaio de abertura – “Orfeu ou a Poesia como Realidade” –, evocação que se estendeu ao número seguinte, com a transcrição da sua Conferência de Encerramento do “Congresso 100 – Orpheu”, em que a NOVA ÁGUIA esteve igualmente envolvida. Nos números 18º e 20º, destacamos ainda dois ensaios seus – sobre Agostinho da Silva e António Vieira, sendo que o texto mais marcante foi, decerto, uma extensa entrevista concedida a Luís de Barreiros Tavares (publicada no nº 16), depois editada em livro (Eduardo Lourenço em roda livre, Ed. MIL, 2016).

Se este número da NOVA ÁGUIA se ficasse por esta dupla evocação, isso já seria decerto suficiente. Como sempre, porém, há “Outros Vultos” da cultura lusófona igualmente aqui evocados, alguns dos quais também falecidos neste último ano – falamos de Celina Pereira, Cruzeiro Seixas, Gonçalo Ribeiro Telles, Veríssimo Serrão e Waldemar Bastos. Há “Outros Vultos” e “Outros Voos” – começando por um ensaio sobre Italo Calvino, da autoria de Brunello Natale De Cusatis, decerto um dos italianos que mais e melhor conhece e ama a cultura lusófona. E há ainda – para além de duas séries de “Cartas para António Telmo”, de Dalila Pereira da Costa e Luís Amaro –, um conjunto de recensões, no nosso “Bibliáguio”, começando pela obra As Literaturas de Língua Portuguesa (das origens aos nossos dias), de José Carlos Seabra Pereira (que já havíamos destacado no número anterior), e prosseguindo com quatro livros editados pelo MIL em 2020: A Vida Imaginada: Textos sobre Teatro e Literatura, de António Braz Teixeira, Teoria da Luz e da Palavra, de Luís Furtado, João pela vida dentro, de João Reis Gomes, e Lusasalém V, de Delmar Domingos de Carvalho, outro Amigo da NOVA ÁGUIA que nos deixou neste fatídico ano. ■

Para encomendar: info@movimentolusofono.org