Sem desculpas, mas também sem falsos culpados

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Em especial, para os Amigos da ONG
“Ajuda Amiga”

Para todos aqueles que têm procurado projectar em Portugal a realidade norte-americana de um generalizado conflito racial, o brutal assassínio de Bruno Candé foi, dir-se-ia, muito melhor do que a encomenda. Com efeito, se este caso pudesse ser de algum modo generalizável, seria impossível não dar razão a todos aqueles que têm insistido que Portugal é um país especialmente racista. Segundo os mais diversos testemunhos, Bruno Candé foi reiteradamente alvo de impropérios de cariz racista, antes de ser enfim alvejado.

Para mais, Bruno Candé não foi apenas morto por um homem branco – mas por um homem branco que combateu na Guerra do Ultramar. De imediato, compôs-se pois o retrato, ou, neste caso, a caricatura – Bruno Candé foi brutalmente assassinado por um representante de todos aqueles que combateram na Guerra do Ultramar, como se esta tivesse tido uma motivação racial.

Face a essa caricatura, de pouco ou nada vale contrapor os muitos exemplos de sentido contrário, desde logo no meio dos ex-combatentes na Guerra do Ultramar. Falamos, por exemplo, de iniciativas de cooperação e ajuda humanitária na Guiné-Bissau, que temos acompanhado – promovidas, nomeadamente, pela ONG “Ajuda Amiga”. Para todos aqueles que têm insistido que Portugal é um país especialmente racista, essas iniciativas denotarão um racismo recalcado ou, na melhor das hipóteses, uma tentativa de expiação de um sentimento de culpa.

Nada de mais errado, conforme podemos testemunhar. Esses ex-militares têm um genuíno sentimento de fraternidade para com os povos africanos de língua portuguesa e não são movidos por nenhum sentimento de culpa, nem, muito menos, por um qualquer racismo recalcado. 

Sim, decerto, existem ex-combatentes na Guerra do Ultramar que são racistas, como o que assassinou Bruno Candé. Mas esses são apenas os contra-exemplos que confirmam a regra, as árvores que jamais se poderão confundir com a floresta. Eis o que, nestes tempos de “agitação”, importa serenamente afirmar. ■