Maria de Aljubarrota
As eleições autárquicas estão arrumadas, está fechado o primeiro ciclo da geringonça. O que importa agora é o amanhã – um grande amanhã em que a esquerda se vai irremediavelmente dividir e a direita terá necessariamente de se reorganizar. Aproveito este intervalo, enquanto o pau vai e vem, para tirar algumas lições que não podemos esquecer.
Uma questão de carácter
Politicamente, António Costa é um mero malabarista de feira, já todos sabíamos.
Sem ir mais atrás, basta lembrar como jurou que não deixaria por nada a Câmara de Lisboa (e foi na base dessa promessa que o povo o reelegeu, em 2013), para logo mudar de planos e preparar sorrateiramente uma saída airosa. Isto revela um carácter.
Basta lembrar como chegou a líder do PS, em 2014, através de um golpe palaciano que o sujou a ele e salpicou de lama o partido, traindo miseravelmente o honesto mas ingénuo António José Seguro. Isto revela um carácter.
Basta lembrar como, a partir de Novembro de 2014, tratou de enxotar José Sócrates (outra flor que não se cheira, mas que estava na mó de baixo, a amargar na cadeia), tentando fazer esquecer que tinha sido o seu braço direito e cúmplice político, e nem sequer assumindo o mínimo que a amizade implicava. Isto revela um carácter.
Basta lembrar como engendrou uma maneira de salvar a pele nas eleições de 2015, que perdeu, inventando uma engenharia de alianças com a extrema-esquerda que envergonha a história do PS. Isto revela um carácter.
Já sabíamos, portanto, que ele era tortuoso na derrota. O que não sabíamos (embora pudéssemos calcular) era que ele tivesse, sobre todos estes, o defeito de não saber ser magnânimo na vitória.
Ganhando as eleições autárquicas, António Costa revelou-se como ser baixo e mesquinho ao apoucar o derrotado, esfregando-lhe a derrota na cara. Sim, isto revela um carácter.
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