Paulo Costa Pereira

O triunfo autárquico esconde a enorme fragilidade do actual primeiro-ministro. Acossado, o Partido Comunista quer voltar à “luta” o mais cedo possível, nem que para isso tenha de derrubar o Governo. O principal partido da oposição encontra-se fragilizado, mas Costa ainda não sabe quem será o seu adversário nas próximas legislativas.

As sondagens dão-lhe vantagem, mas também lhe davam vantagem em 2015 até pouco antes do sufrágio. E as autárquicas não são grande alento, visto que o PSD também teve um triunfo esmagador em 2005, antes de ter sido arrasado pelo PS de Sócrates nas legislativas. Costa gostaria de ir a eleições agora, mas quem define a data dos sufrágios é Marcelo Rebelo de Sousa, não o primeiro-ministro. Face a uma esquerda que já não confia nele, e a uma direita que nunca lhe vai perdoar o truque palaciano em 2015, António Costa nunca esteve tão só.

As eleições autárquicas já vitimaram dois primeiros-ministros. António Guterres e Francisco Balsemão, que “estranhamente” se demitiu após ter vencido o sufrágio. A Aliança Democrática triunfou, mas não por uma margem suficientemente expressiva; e o problema, claro, residia numa aliança que já se encontrava esgotada, e cujos parceiros já não confiavam uns nos outros. Face à instabilidade, o Partido Socialista regressou de forma inesperada ao poder em 1983, após ter sofrido duas grandes derrotas anteriormente. António Costa reza agora para que a história não se repita consigo.

Em termos de amigos improváveis, a geringonça é uma coligação muito mais estranha do que a histórica Aliança Democrática, e a actual “grande vitória autárquica” foi conquistada à custa do PCP. António Costa ainda tentou desarmar esse facto, mas o PCP entrou em ebulição muito rapidamente, tendo Jerónimo de Sousa acusado o PS de “desenvolver uma acção a partir dos seus candidatos e alguns dirigentes partidários, particularmente concentrada em municípios de maioria da CDU, de ataque à gestão da CDU baseada em argumentos falsos e muitas vezes ofensivos”; e acusou o Bloco de Esquerda de não ter olhado a meios “para, por via da falsificação e mesmo da calúnia, denegrir a CDU e o poder local”.

O conflito já está lançado.

  • Leia este artigo na íntegra na edição impressa desta semana.
COMPARTILHAR
  • Paulo Reis

    A CDU mandou calar a CGTP, mas com isso perdeu imensos votos. Agora tem de os fazer voltar a agitar a população, senão nas proximas eleições vai desaparecer (nada que empobreça o país).
    A Costa já viu que a sua “grande vitória” despoletou a ira de J Sousa. Vamos ver para crer.

  • Alibaba de Massamá