José de Figueiredo

Economista, Professor universitário

A evolução do número de beneficiários de alguns serviços emblemáticos do Estado Social mostra que Portugal, ao contrário do que afirma António Costa, não “virou a página da austeridade”: esta apenas mudou de “estilo”…

Arranjou-se um termo ideológico, “austeridade”, que mais não é do que a velha maneira de viver dentro das posses de cada um. Ou seja, o austero vive por oposição aos que vivem e gastam à tripa-forra. Afinal, a austeridade não tem nada de mal, antes repõe a realidade àqueles que gostam de viver com o que é seu e também com o que tiram aos outros.

Tudo isto, a propósito das afirmações repetidamente feitas pelo primeiro-ministro António Costa, de que “se virou a página da austeridade”. Será que foi mesmo? Ou, afinal, a austeridade da ‘geringonça’ é apenas isso mesmo, um estilo de austeridade diferente – qualquer coisa semelhante ao que o primeiro-ministro Alexis Tsipras vem experimentando também na Grécia?

Todos sabemos que o Estado Social constitui o maior fardo financeiro da nação. E, em particular, os custos com a Segurança Social.

Durante o período de 1974 até ao consulado de José Sócrates, os sucessivos Governos alargaram desmesuradamente a panóplia de subsídios, num País que foi vivendo sempre com alguns sobressaltos económicos e financeiros: desde as pensões de sobrevivência, mesmo para aqueles que nunca descontaram para a Segurança Social; até aos subsídios mais recentes, como seja o Rendimento Social de Inserção e o Complemento Social para os Idosos.

Importa, assim, analisar qual o impacto da austeridade “dura” de Passos Coelho e da austeridade “suave” da ‘geringonça’ na evolução dos beneficiários dos vários tipos de subsídios em Portugal.

  • Leia este artigo na íntegra na edição impressa desta semana.
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